Secretário de Segurança defendeu maior comunicação entre ISP e Datasus
Isabele Rangel, do R7 | 05/12/2011 às 12h35Após a polêmica sobre os dados oficiais de homicídios no Rio de Janeiro entre o ISP (Instituto de Segurança Pública) e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse, nesta segunda-feira (5), reconhecer o valor dos dados divulgados pelo Ipea, que revelam uma quantidade de assassinatos muito maior do que o divulgado pelo ISP.
- Eu acho que ambas as pesquisas têm o seu valor, o que nós precisamos é tirar delas resultados que nos permitam avançar. O que precisamos fazer é ver como é comunicação destes bancos de dados e ver o que pode se reverter em uma melhora. O Instituto de Segurança Pública é historicamente um instituto transparente desde sua fundação.
Beltrame, que chegou a cogitar processar judicialmente o pesquisador Daniel Cerqueira, responsável pelo estudo do Ipea, disse que os dois bancos de dados são idôneos, mas que ISP e Datasus, do Ministério da Saúde, precisam se comunicar.
Durante uma audência pública na Alerj, que tratou do tema, Beltrame também defendeu a metodologia usada pelo ISP para quantificar os autos de resistência, que são as mortes ocorridas em confrontos com a polícia.
O secretário de Segurança Pública afastou a possibilidade de mudança de metodologia nas pesquisas do ISP. Ele afirmou que, apesar da diferença nos dados, não há erro em nenhum dos levantamentos.
Daniel Cerqueira afirmou que a pesquisa não se trata de uma crítica genérica ao ISP ou ao trabalho do secretário Beltrame, que ele afirmou ser um homem íntegro.
3.165 homicídios a menos
O estudo do Ipea aponta que o Estado do Rio de Janeiro ocultou em suas estatísticas 3.165 homicídios apenas no ano de 2009. A pesquisa Mortes Violentas Não Esclarecidas e Impunidade no Rio de Janeiro, do economista Daniel Cerqueira, procurou entender o aumento de mortes violentas provocadas por causas externas indeterminadas. Ou seja, nem o legista nem a polícia determinam se a morte foi um acidente, um homicídio ou um suicídio.
Cerqueira comparou os dados de 2006 com estatísticas de 2007 a 2009, após o início do governo de Sérgio Cabral (PMDB). Ele utilizou as informações do SIM (Sistema de Informação sobre a Mortalidade), do Ministério da Saúde. “O Rio de Janeiro, com cerca de 8% da população nacional, é responsável por registrar 27% do total das mortes violentas cuja intenção não foi determinada”, diz o estudo.
O pesquisador comparou o perfil de vítimas registradas como homicídios, suicídios ou acidentes ao de vítimas com causas de morte indeterminadas. Ele concluiu que, de cada dez casos de morte por causa externa violenta, oito são homicídios.
- Nossa estimativas indicaram que, além dos 5.064 homicídios registrados em 2009, teria havido 3.165 homicídios ocultos, totalizando um número de agressões letais no Estado de 8.229.
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