Jovem que tentou defender mendigo na Ilha foi operado para reconstruir o rosto
Do R7, com Rede Record | 05/02/2012 às 19h14O estudante de desenho industrial Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, que foi agredido quinta-feira passada (2) por um grupo de cinco pessoas ao tentar defender um morador de rua, continua internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do Hospital Santa Maria Madalena, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro. Ele passou por uma cirurgia de reconstrução da face, que durou quatro horas, no último sábado (4). Ele está bem e seu estado de saúde é considerado estável, segundo o cirurgião e traumatologista Leonardo Peral, que o operou juntamente com o doutor Silvério Paiva.
De acordo com o hospital, foi preciso implantar oito placas de titânio na testa e no céu da boca da vítima, assim como 63 parafusos, enxerto e três membranas protetoras, entre outros. A previsão inicial é de que o jovem tenha alta a partir da noite de segunda-feira (6) ou na manhã de terça-feira (7). Ainda não se sabe se ficará com sequelas.
Dois presos
Na noite de sexta-feira (3), foram presos dois homens suspeitos de agredirem o jovem. Um terceiro suspeito permanece foragido. Outros dois ainda não foram identificados. Todos vão responder por tentativa de homicídio qualificado, segundo o delegado Deoclécio de Assis, titular da Delegacia da Ilha (37ª DP). Os dois presos devem ser transferidos para uma unidade da Polinter.
O crime aconteceu na madrugada de quinta, na praça Jerusalém, no Jardim Guanabara, área de classe média alta na Ilha. O pai de um dos agressores, que não quis se identificar, disse que a família também está sofrendo.
- Ninguém cria um filho para ser agressor ou agredido. O sofrimento é de todo mundo.
A polícia pretende ouvir outras testemunhas para esclarecer o caso, inclusive o morador de rua que foi o pivô da confusão.
De acordo com o irmão de Vítor, Vinícius Suarez Cunha, de 28 anos, o morador de rua teria passado mal pouco antes das agressões. Ele foi socorrido por uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que o deixou no mesmo local após o atendimento. Ele teria voltado a se sentir mal e deitou na praça.
- A minha mãe é assistente social e trabalha na prefeitura. Ela está acostumada a lidar com pessoas em situação de rua e a nossa família está acostumada a esse universo. Meu irmão sabe das dificuldades pelas quais essas pessoas passam. Ele só quis impedir a agressão e agora está com o rosto deformado. Esse tipo de situação acontece com frequência aqui na Ilha, mas pelo poder aquisitivo, nunca acontece nada porque as famílias pagam bons advogados. Não queremos que esse caso fique impune.
Todos os suspeitos são jovens de classe média alta. Os socos e chutes contra o estudante só pararam depois que o amigo dele se jogou sobre ele para impedir o espancamento. Vítor ficou desacordado. Um dos agressores tentou justificar o ataque ao morador de rua e teria falado que, pela manhã, o pai dele iria fazer uma caminhada pelo local e que não queria passar por um mendigo no caminho.
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