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24 de Outubro de 2014

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"Acordava e fumava crack", diz autor de hino do funk; assista depoimento

MC Cidinho diz que tinha conta na boca de fumo, onde gastava R$ 2.500 por mês

Marcelo Bastos, do R7 | 21/02/2013 às 02h00
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Costuma-se dizer que após a ascensão vem a queda. Na vida de Sidnei da Silva, de 36 anos, o MC Cidinho, que há 20 anos explodiu com o Rap da Felicidade, essa lógica está se invertendo. Conhecido como o general do funk, ele venceu uma batalha longa na guerra contra o crack e está retomando a carreira. Sucesso na internet, o funkeiro voltou a fazer shows e recentemente esteve em turnê pela Europa. Prestes a ser pai do 11º filho, Cidinho resume o que espera para o futuro: “eu só quero é ser feliz”.

Na Cidade de Deus, favela da zona oeste do Rio onde há uma praça com o nome de Cidinho, o MC recebeu a reportagem do R7 para uma entrevista. Ele contou que conheceu o crack no momento em que o sucesso havia praticamente acabado, assim como a parceria com o MC Doca, em 2008. Segundo Cidinho, foram dois anos e quatro meses na companhia na droga.

— Eu comecei a me ver sexta, sábado e domingo em casa, quase sem shows pra fazer. Estava conversando com um amigo e ele deixou cair duas pedras. Eu devolvi uma e fumei a outra para ver como era. O crack virou a marquise dos meus problemas. Eu acordava e fumava. Não almoçava, mas usava crack, não jantava, mas usava crack, não dormia, mas usava crack. Eu era um verdadeiro zumbi.

Assista ao vídeo:

Cidinho conta os dias em que está livre da droga. Segundo ele, no próximo dia 1º de março serão completados dois anos e três meses sem crack. Ele diz que a única coisa que ganhou durante o período do vício foi um diabetes, que o deixou muito mais magro do que quando surgiu no início da década de 90, quando ganhou vários festivais de rap ao lado do MC Doca.

— Eu morri durante dois anos e quatro meses. Perdi tudo. Eu procurava a chave do carro e percebia que não tinha mais carro. Eu ia coçar o pé e percebia que estava descalço. Eu tinha conta na boca de fumo, tinha crédito. Pagava por semana. Eu não fumava pedrinha, eu fumava rocha. Era uma pedra do tamanho de um brigadeiro, que custava R$ 25. Eu fumava umas cinco por dia. No mês, por baixo, eu gastava uns R$ 2.500. Qualquer show que eu fizesse era para pagar dívidas.

Para o funkeiro, que tem a inscrição “fé em Deus” tatuada no braço direito, a fé e a família foram os principais responsáveis pela vitória na luta contra o crack. Ele conta que havia prometido à uma das filhas que iria parar de usar a droga, mas a menina fugiu dele ao flagrar o pai fumando crack em uma das ruas da Cidade de Deus.

— Isso doeu demais. Eu percebi que precisava mudar. Outra vez, flagrei minha mulher chorando muito. Perguntei o que havia acontecido e ela disse: “olha para você”. Eu me olhei no espelho e parecia a primeira vez que eu me via. Estava irreconhecível. Aí passei um dia sem fumar, depois outro, outro, e assim foi até hoje. Com menos de cinco dias, a boca me ligou para saber o que estava acontecendo. Eu dava lucro, né?

Crítica ao funk "obsceno"

Recentemente, Cidinho esteve na Europa e fez shows em Portugal, onde já gravou um CD e um DVD , Espanha, França e Suíça. O cantor, que surgiu em bailes na Cidade de Deus em 1992, também já esteve em outros países do continente e também em países da África, como Moçambique. Ele diz que o funk é o ar ele respira, mas critica os MCs que cantam letras consideradas obscenas ou que fazem referência explícita ao sexo:

— Muita gente reclama do proibidão (músicas que falam sobre crime), mas é muito mais fácil uma filha, uma mãe, uma família ouvir a palavra fuzil do que ouvir uma obscenidade. Eu escrevo música que vou poder ouvir do lado da minha filha, da minha mãe. Todos os ritmos levam dinheiro para casa. É o trabalho, mas devemos respeitar mais tudo e a todos.

Atualmente, MC Cidinho é uma das principais atrações de um evento de funk que acontece semanalmente em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, com a participação de vários MCs. Os vídeos das apresentações de Cidinho postados na internet têm centenas de milhares de acessos.


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