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26 de Novembro de 2014

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Baía de Guanabara ainda sofre com 70% do esgoto
do Estado que é despejado sem nenhum tratamento

Dejetos são jogados in natura por falta de rede sanitária

Monique Cardone, do R7 | 25/01/2011 às 06h00
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Todos os dias de manhã a empregada doméstica Maria Aparecida de Almeida leva os três filhos para ir ao banheiro, que fica do lado de fora de casa. O sanitário fica atrás da casa para que a água suja e os dejetos sejam despejados por uma calha diretamente no Rio Sarapuí, que passa ao lado da residência da família em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Esse e outros 17 rios deságuam na baía de Guanabara e levam toneladas de lixo e esgoto doméstico para o local. Dona Maria faz parte da estatística da Secretaria de Meio Ambiente que revela um dado alarmante: 70% do Rio de Janeiro não possui rede esgoto. Segundo o Estado, esse déficit sanitário está diretamente ligado à poluição de um dos pontos turísticos mais badalados da capital.

A empregada doméstica diz que gostaria de ter um banheiro normal, dentro de casa, mas não é possível. 

- Aqui não tem rede de esgoto. A minha opção foi fazer um banheiro lá fora e pedir ao meu vizinho para colocar uma calha que leva as fezes e o xixi para o rio. O que eu posso fazer?

Para solucionar o problema, a meta da secretaria para os próximos quatro ano é dobrar a rede de tratamento de esgoto. De acordo com o secretário de meio ambiente, Carlos Minc, o sistema já melhorou no último governo.

- Nós conseguimos passar o nível de tratamento de esgoto de 20 para 30% nos últimos quatro anos. Mas isso ainda é um horror porque o resto é lançado in natura. O nosso objetivo é passar de 30 para 60% nos próximos quatro anos. É uma meta ousada.

Desde o início do programa de despoluição da baía de Guanabara, foram construídas as estações de tratamento de esgoto de Sarapuí, da Pavuna, da Ilha, da Alegria, de Paquetá, de São Gonçalo e de Icaraí. No entanto, apena duas delas operam em capacidade plena. As demais funcionam abaixo do normal. 

Segundo a secretaria, isso ocorre porque faltam trechos de conexão entre os coletores e os interceptores que levam o esgoto à estação de tratamento. Além disso, em alguns locais, a rede coletora foi construída, mas não foram feitas as ligações domiciliares. Por esse motivo, somente uma pequena parcela do esgoto gerado na área de abrangência de cada estação é tratado.

Mais de R$ 1 bilhão para recuperar a baía

Minc afirmou que a estação de São Gonçalo em breve entrará em funcionamento ampliado para ajudar na distribuição e o esgoto de Paquetá também vai ser jogado nesta estação.

- Recentemente, nós também conseguimos R$ 500 milhões de dólares no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). No total, temos esse dinheiro, que significa aproximadamente R$ 800 milhões de reais, mais R$ 300 milhões do FECAM (Fundo de Desenvolvimento Urbano e Conservação Ambiental), o que somaria cerca de R$ 1,1 bilhão de reais. Dessa verba, mais de 80% é para a recuperação da baía de Guanabara.

No fim de 2010, o governo estadual pleiteou e aprovou R$ 1,2 bilhão em empréstimo internacional para investir em esgoto sanitário. A secretaria admite que a verba não é suficiente para resolver todo o problema do Estado. Segundo estimativa do governo, seria necessário cerca de 8,5 bilhões para solucionar por completo o serviço de esgoto.

De 2007 a 2010, o Programa Estadual Pacto pelo Saneamento informou que 89 planos Municipais de Saneamento Básico foram articulados com os municípios e os Comitês de Bacia, que atualmente estão em contratação. Além disso, a secretaria informou que realizou 18 projetos de engenharia de sistemas de esgoto sanitário em sedes urbanas municípios e em seus distintos distritos.

Para 2011, a secretaria pretende construir novos sistemas em Alcântara e Itaboraí. Além de ampliar os de Alegria e da Barra, colocando em operação plena os sistemas Pavuna e Sarapuí.

Dona Maria espera que este ano, com o aumento dos investimentos prometidos para o tratamento da rede sanitária, ela e sua família tenham melhores condições de saneamento básico.

- Eu não queria uma nova casa, queria no mínimo ter uma rede de esgoto e não precisar sair de dentro da minha casa para ir ao banheiro com meus filhos. 


 
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