Além das reivindicações salariais, eles pedem a libertação dos 439 soldados presos
Do R7 | 05/06/2011 às 10h27 | Atualizado em: 05/06/2011 às 12h08Mais de mil bombeiros ocupavam as escadarias da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro), no centro do Rio de Janeiro, por volta das 10h20 deste domingo (5), para dar continuidade aos protestos por melhores salários e condições de trabalho, de acordo com a Polícia Militar.
Os manifestantes também pedem a libertação dos 439 soldados presos durante a ação da PM no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, também no centro.
Policiais militares do Batalhão da Praça Tiradentes (13º BPM) e do Batalhão de Choque acompanham a manifestação, que deve seguir para Copacabana, na zona sul da capital fluminense, neste domingo.
De acordo com o Centro de Operações da prefeitura, os manifestantes ainda não ocuparam as ruas do entorno da Alerj e o trânsito segue normalmente.
Transferência dos bombeiros presos
Os soldados do Corpo de Bombeiros começaram a deixar a Corregedoria da Polícia Militar, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo.
Escoltados por policiais do Batalhão de Choque, três ônibus seguiram para um quartel dos bombeiros em Charitas, Niterói, também na região metropolitana, por volta das 6h, informou a PM.
Ao menos 439 bombeiros, que faziam protesto por melhores salários e condições de trabalho no Quartel Central da corporação, no centro do Rio, foram presos após a ação da PM para conter a manifestação na manhã de sábado (4).
Ainda segundo a polícia, os bombeiros presos serão autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão.
A polícia também informou que os agentes receberam assistência da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública e pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj durante a prisão na Corregedoria da PM.
Invasão da PM
Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiram na manhã de sábado (4) o Quartel Central do Corpo de Bombeiros. Os mais de 2.000 bombeiros ocupavam o lugar em uma manifestação por melhores salários e condições de trabalho desde a noite de sexta-feira (3).
Em resposta, o governador Sérgio Cabral disse que não negocia com “vândalos” e “irresponsáveis” e exonerou o então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. Cabral anunciou que o cargo será ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que ocupava a função de subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
A manifestação dos bombeiros começou na tarde de sexta-feira em frente a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e passou pelas principais ruas do centro do Rio. Mulheres e crianças acompanharam o protesto, que chegou ao Quartel Central por volta das 20h.
Os bombeiros reivindicam piso salarial líquido de R$ 2.000 e vale-transporte. Atualmente, a maioria recebe cerca de R$ 950.
Manifestações em maio
Os bombeiros realizaram durante o mês de maio uma série de manifestações e chegaram a entrar em greve. Com prisão decretada por serem considerados líderes das manifestações, o major Luís Sérgio, o capitão Alexandre Marchesini, o sargento Valdelei Duarte e o cabo Benevenuto se entregaram no QG (Quartel Central) da corporação, no centro do Rio, no dia 17 de maio. De acordo com Valdelei, todos foram soltos três dias depois.
Em entrevista no dia 12 de maio, o governador Sérgio Cabral não se mostrou preocupado com as reivindicações dos bombeiros. Segundo Cabral, o movimento não afetaria o Estado e teria sido incitado e até mesmo financiado por políticos de oposição.
No último dia 25 de maio, os manifestantes se reuniram com o secretário de Planejamento do Estado, Sérgio Ruy. O encontro, porém, não resultou em novidades. A decisão do governo foi mantida e nenhum aumento à classe foi prometido fora do que já estava planejado.
Assista ao vídeo:
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7