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21 de Setembro de 2014

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Sérgio Cabral: Quem não teve
'namoradinha' que já fez aborto?

Governador do Rio pede mudança na legislação e discussão sobre o assunto

Do R7, com Agência Estado | 14/12/2010 às 18h40
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O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), fez um comentário polêmico nesta terça-feira (14) ao falar sobre aborto a empresários em São Paulo, no Exame Fórum Rio de Janeiro - Oportunidades de Investimentos e Negócios. Ele questionou os presentes sobre quem já teria recorrido ao procedimento por conta de uma gravidez indesejada de uma namorada.

- Quem aqui não teve uma namoradinha que teve de abortar?

Em seguida, Cabral disse que esse não era o caso dele, "pois já fez vasectomia e é muito bem casado".

- Me refiro a diversas pessoas que tiveram namoradas que engravidaram e que foram abortar em clínicas clandestinas. Isso é a vida como ela é. Só que o sujeito que é de classe média alta tem uma clínica de aborto clandestina em melhores situações, mas, mesmo essa não passa por nenhum controle de vigilância sanitária. As autoridades médicas não têm no seu prontuário: 'Fui visitar a clínica de aborto da rua Dona Mariana', por exemplo.

Cabral disse ser favorável a uma revisão na legislação para ampliar os casos em que o aborto é permitido. Na avaliação dele, as mulheres precisam ser ouvidas e devem participar ativamente do debate. Pela lei atual, o aborto só pode ser feito por mulheres que engravidaram por meio de estupro ou quando a gravidez oferece risco de morte da mãe.

- Vamos discutir com a classe médica e as mulheres. Mas tem de ser ampliado. Do jeito que está, está errado, falso, mentiroso, hipócrita. Isso é uma vergonha para o Brasil. Ninguém é a favor do aborto. Você é a favor do direito de a mulher recorrer no serviço público de saúde a uma interrupção de gravidez. Imagina, quem é a favor do aborto? Ninguém é a favor do aborto, não imagino que tenha uma mulher e um homem no mundo favorável ao aborto. Mas uma coisa é uma mulher, por alguma necessidade, física ou psicológica, psiquiátrica, orgânica, desejar interromper uma gravidez.

O governador do Rio citou exemplos de países em que a religião também possui peso, mas que têm uma legislação mais flexível, como Espanha, Portugal, Itália, França, Estados Unidos e Reino Unido.

- Será que esses países gostam menos da vida do que nós? Será que o povo inglês, francês, italiano, português, gosta menos da vida do que o povo brasileiro? Esse é o ponto.

Polêmica

Não é a primeira vez que Cabral entra em polêmica ao falar sobre o tema. Em 2007 ele defendeu a legalização do aborto como uma forma de reduzir a violência. Na época, citou uma pesquisa da década de 1970 que relacionava taxas de natalidade, pobreza e violência.

- Hoje, no Rio, em áreas mais nobres, como na Tijuca, se encontram taxas de natalidade de países civilizados, desenvolvidos, onde as pessoas têm consciência. Infelizmente, nas comunidades mais carentes daqui, as mulheres não têm orientação do governo sobre planejamento familiar e têm taxas equivalentes aos países mais atrasados da África. Tem tudo a ver com violência. Isso é uma fábrica de produzir marginal.


 
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