R7 - Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

27 de Maio de 2016

Notícias

Cartilhas de escolas do Rio exaltam desempenho do prefeito nas eleições de 2012

Professores e vereadores da Oposição dizem que material faz propaganda de Eduardo Paes

Carlyle Jr., do R7 | 23/02/2013 às 02h00

Publicidade

Reeleito com mais de 2 milhões de votos em 2012, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), virou personagem de um problema de matemática em cartilhas distribuídas aos alunos das escolas municipais. Ao lado de um gráfico em formato de pizza, onde o peemedebista abocanha a maior fatia, os estudantes do 6º ano (antiga 5ª série) devem responder quem venceu o pleito do ano passado.

A cartilha foi entregue na mesma semana em que o jogo “Banco Imobiliário – Cidade Olímpica” foi parar nas salas de aula. O brinquedo exalta obras da administração de Paes, como o Porto Maravilha, Clínicas da Família e o Centro de Operações. A apostila de matemática ainda lembra a importância do bom relacionamento da prefeitura com os governos estadual e federal — uma das bandeiras que garantiu a vitória de Paes nas urnas.

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) é um único vereador da Oposição que aparece na cartilha em um gráfico com os dez parlamentares mais votados nas eleições. O democrata, no entanto, não gostou da "homenagem". Para ele, o conteúdo faz propaganda política de Eduardo Paes nos colégios do município.

— Isso afeta o dispositivo constitucional que proíbe a publicidade com nome de governante. Será inevitável o MP [Ministério Público] pedir o ressarcimento como fez com o governador Moreira Franco e agora, com a Lei da Ficha Limpa, pedir a inegibilidade.

Secretaria diz que cartilhas não são obrigatórias

O vereador Jefferson Moura (PSOL) quer cobrar explicações da prefeitura. O socialista lembrou que os estudantes do 6º ano, que têm entre 11 e 13 anos, estão perto de atingir a idade mínima (16 anos) para votar.

— Nós teremos eleições no ano que vem. O prefeito até agora não demonstrou interesse em se candidatar a algum cargo. Mas ele pode fazer isso a qualquer momento. Além do risco de influenciar politicamente os pais dos alunos, o material pode comprometer a formação de futuros cidadãos e, por consequência, futuros eleitores.

Nas salas de aula, os professores vão tentar buscar alternativas para driblar o uso das cartilhas. O Sepe-RJ (Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio) pretende denunciar o caso ao Ministério Público, que já analisa a compra da versão carioca do Banco Imobiliário. O coordenador-geral do sindicato, Alex Trentino, diz que o conteúdo das cartilhas tem apenas a intenção de “induzir que o prefeito é bom gestor”.

— O aluno não tem mais livro didático em sala aula. Os professores serão obrigados a trabalhar com essas apostilas, que só fazem propaganda do prefeito.

Já a subsecretária municipal de Educação, Helena Bomeny, afirma que os professores não serão obrigados a usar as cartilhas nas aulas de matemática. Mas ela diz que apostilas vão estimular o aprendizado dos alunos, independentemente da questão política.

— Não estamos fazendo campanha. Os alunos acompanharam o processo eleitoral pelos jornais e TV. Vai ser mais estimulante o aluno fazer um exercício de matemática com os nomes que eles conhecem do que candidato A ou B. É bom lembrar que o conteúdo foi elaborado com a participação dos professores da rede.


 
Veja Relacionados:  cartilhas, rio
cartilhas  rio 
 
Espalhe por aí:
  • RSS
  • Flickr
  • Delicious
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google
 
 
 
 

Fechar
Comunicar Erro

Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.

Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7
Mensagem enviada com Sucesso!Erro ao enviar mensagem, tente novamente!
RSS