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19 de Setembro de 2014

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Caso Adrielly: médico que faltou ao plantão é indiciado por omissão de socorro

Menina Adrielly, vítima de bala perdida, esperou 8 horas para ser atendida e morreu

André Paino, do R7 | 08/01/2013 às 17h52
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O delegado Luiz Archimedes, titular da Delegacia do Méier (23ª DP), indiciou na tarde desta terça-feira (8) o neurocirurgião Adão Crespo Gonçalvez, por omissão de socorro. Gonçalves faltou ao plantão médico no dia 24 de dezembro de 2012. Na noite de Natal, a menina Adrielly deu entrada na unidade de saúde com um tiro na cabeça e aguardou oito horas para ser atendida porque não havia um profissional especializado no hospital. Adrielly morreu na última sexta-feira (4).

Em entrevista ao R7, o neurocirurgião Adão Crespo Gonçalvez informou que, por não concordar com os procedimentos do hospital, havia entrado com o processo de demissão a partir de dezembro de 2012. Segundo o médico, ele já não estava mais comparecendo aos plantões e disse que não sabia que seu nome estava na lista dos plantonistas na noite de Natal.

— Eu não sabia que estava na escala. Não era para estar. Não passou pela minha cabeça que meu nome pudesse estar nesta escala, haja visto a minha comunicação prévia ao chefe de serviço dias antes.

O delegado decidiu pelo indiciamento depois que ouviu o depoimento de Ênio Lopes, médico que chefiava a emergência no dia do fato. O profissional afirmou que era da mesma escala que Gonçalvez há dois anos, mas nunca tinha visto o neurocirurgião.

Concluído, o inquérito será relatado ao Ministério Público. A pena para omissão de socorro é de um a seis meses de detenção, podendo ser triplicada em caso de morte. O procedimento está sendo enviado à Secretaria Municipal de Saúde.

Ainda durante depoimento de Ênio Lopes, o delegado informou que o médico contou que ao perceber a gravidade do ferimento, solicitou um pedido de vaga em outra unidade de saúde que tivesse a especialização de neurocirurgia para Adrielly, mas o pedido não foi atendido.

Segundo o médico, o documento foi enviado por um funcionário do NIR (Núcleo Interno de Regulação) do hospital, que confirmou o envio, via fax. Outro funcionário do núcleo confirmou o recebimento do documento na Central Reguladora de Vagas. Lopes disse ainda que ficou aguardando uma resposta da central, assim como uma ambulância para transportar a paciente, o que não aconteceu. Os dois funcionários do NIR também foram chamados para prestar depoimento.

Até as 18h30 desta terça-feira, o médico dr. Adão Crespo Gonçalvez não havia recebido a notificação do indiciamento.

Médico “inocenta” colega

O neurocirurgião Mário Lapenta, que operou a menina após a longa espera, “inocentou” o colega Adão Orlando Crespo em depoimento à polícia ao informar que a garota não teria chances de sobreviver, mesmo se tivesse sido socorrida momentos após o disparo. De acordo com o delegado, o quadro clínico da menina não altera a responsabilidade do médico, que pode responder pelo crime de omissão de socorro.

— Ele faltou ao plantão, disso não tenho dúvidas. O depoimento do médico Lapenta não muda em nada as investigações. Havia médicos de plantão e naquele dia faltou justamente o profissional habilitado para fazer aquele atendimento.

A mãe da menina, Adriana dos Santos, diz acreditar que a demora no atendimento pode ter causado a morte da filha.

— Se não fizesse diferença, minha filha não teria sobrevivido por dez dias. Se a Adrielly tivesse sido operada logo, teria aguentado ainda mais tempo e, quem sabe, até sobrevivido. O que aconteceu foi muita negligência e descaso, era obrigação no médico estar no hospital.

 
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