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1 de Novembro de 2014

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Chefe de equipe de hospital diz que não conhecia pessoalmente médico suspeito de faltar ao plantão

Menina Adrielly, vítima de bala perdida, esperou 8 horas para ser atendida

Do R7 | 08/01/2013 às 16h05
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O chefe da emergência do Hospital Municipal Salgado Filho, Ênio Lopes, disse durante depoimento nesta terça-feira (8) na Delegacia do Méier (23ª DP), que, apesar de há dois anos trabalhar com o neurocirurgião Adão Crespo Gonçalvez, suspeito de faltar ao plantão no dia 25 de dezembro, não o conhecia pessoalmente. Na noite de Natal, a menina Adrielly, vítima de bala perdida, deu entrada na unidade, mas esperou cerca de oito horas para ser atendida. Adrielly morreu na última sexta-feira (4).

O delegado Luiz Archimedes também informou que Lopes contou que ao perceber a gravidade do ferimento, solicitou um pedido de vaga em outra unidade de saúde que tivesse a especialização de neurocirurgia para Adrielly, mas o pedido não foi atendido.

Segundo o médico, o documento foi enviado por um funcionário do NIR (Núcleo Interno de Regulação) do hospital, que confirmou o envio, via fax. Outro funcionário do núcleo confirmou o recebimento do documento na Central Reguladora de Vagas. Lopes disse ainda que ficou aguardando uma resposta da central, assim como uma ambulância para transporta a paciente, o que não aconteceu. Os dois funcionários do NIR também foram chamados para prestar depoimento.

Em entrevista ao R7, o neurocirurgião Adão Crespo Gonçalvez informou que, por não concordar com os procedimentos do hospital, havia entrado com o processo de demissão a partir de dezembro de 2012. Segundo o médico, ele já não estava mais comparecendo aos plantões e disse que não sabia que seu nome estava na lista dos plantonistas na noite de Natal.

— Eu não sabia que estava na escala. Não era para estar. Não passou pela minha cabeça que meu nome pudesse estar nesta escala, haja visto a minha comunicação prévia ao chefe de serviço dias antes.

Médico “inocenta” colega

O neurocirurgião Mário Lapenta, que operou a menina após a longa espera, “inocentou” o colega Adão Orlando Crespo em depoimento à polícia ao informar que a garota não teria chances de sobreviver, mesmo se tivesse sido socorrida momentos após o disparo. De acordo com o delegado, o quadro clínico da menina não altera a responsabilidade do médico, que pode responder pelo crime de omissão de socorro.

— Ele faltou ao plantão, disso não tenho dúvidas. O depoimento do médico Lapenta não muda em nada as investigações. Havia médicos de plantão e naquele dia faltou justamente o profissional habilitado para fazer aquele atendimento.

A mãe da menina, Adriana dos Santos, diz acreditar que a demora no atendimento pode ter causado a morte da filha.

— Se não fizesse diferença, minha filha não teria sobrevivido por dez dias. Se a Adrielly tivesse sido operada logo, teria aguentado ainda mais tempo e, quem sabe, até sobrevivido. O que aconteceu foi muita negligência e descaso, era obrigação no médico estar no hospital.

 
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