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18 de Setembro de 2014

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Cidade de Deus ganha primeiro banco
comunitário do Rio de Janeiro

Secretaria adiantou que próxima unidade será inaugurada no Complexo do Alemão

Sérgio Vieira, do R7 | 15/09/2011 às 12h18 | Atualizado em: 15/09/2011 às 12h52
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Iniciativa de sucesso em Fortaleza, os bancos comunitários são as próximas ações a desembarcarem no Rio de Janeiro com o objetivo de aumentar a economia solidária e diminuir a pobreza das comunidades da cidade. Nesta quinta-feira (15), o Banco Comunitário Cidade de Deus, primeiro banco comunitário carioca, foi inaugurado na comunidade da zona oeste do Rio. 

Durante o evento, estiveram  presentes o prefeito Eduardo Paes, o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa e Paul Singer, secretário nacional da economia solidária do governo federal.

A iniciativa busca incentivar os moradores a produzir e consumir produtos e serviços dentro da própria comunidade, pois assim, conforme citou Lucília, presidente da Agência de Desenvolvimento Local e Diretora do Banco Comunitário, “a riqueza não sai do território”. Ao todo, o conselho administrativo da instituição é formado por 20 pessoas, todos da comunidade.

- A gente estava cansado de ser marginalizados. O banco da Cidade de Deus é um banco diferencial. O ganho maior é que nossa riqueza não sai do território. A cidade de Deus tem todos os elementos para que se possa implantar a economia solidária.

A alma da comunidade também está em cada cédula. Duas figuras lendárias dentro da Cidade de Deus , Dona Benta e Dona Geralda, emprestaram seus rostos para a moeda local – o CDD (Cidade de Deus).

Embora seja o primeiro da capital fluminense, não é o primeiro do Estado. Depois da abertura de uma agência no bairro do Preventório, em Niterói, uma outra instituição nos mesmos moldes foi aberta  no bairro de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No Brasil, de acordo com Paul Singer, mais de 60 bancos comunitários operam utilizando moedas sociais e outras formas de microcrédito.

Paul Singer contou ainda que a experiência é amplamente difundida na Venezuela, que se baseou no modelo de Fortaleza. Por lá, aponta ele, já são mais de 3.600 unidades espalhadas por todo o país.

No caso do banco da Cidade de Deus, as operações vão se dar com cédulas próprias e personalizadas - moeda social chamada CDD - que dará descontos de até 10% para os consumidores que a usarem. Ou seja, produtos que custarem R$ 1,00 poderão ser adquiridos por R$ 0,90. A instituição ainda vai oferecer aos clientes linhas de crédito em reais para investir na produção, além de empréstimos em  moeda social para o consumo, neste caso, sem juros.

Embora durante muito tempo tenha sido proibida qualquer moeda paralela em território brasileiro, o Banco Central passou a autorizar a circulação dessas notas nestes casos especiais, já que os bancos comunitários só podem funcionar ante aprovação do governo.

Além disso, eles têm características particulares, pois não buscam o lucro – como todas as instituições financeiras tradicionais. E mais, oferecem empréstimos com juros bem mais baixos ou em alguns casos sem juros (principalmente quando o empréstimo é feito com moeda social), já que esta só tem valor na área pré-determinada.

No entanto, o objetivo fundamental é fortalecer o comércio e a comunidade onde se localizam. Segundo o prefeito Eduardo Paes, a chegada do banco à comunidade é um passo importante para as autoridades conseguirem transpor os obstáculos que impedem a geração de riqueza e a diminuição do número de pessoas em condições de pobreza, pois "acaba impactando de uma forma muito transformadora na vida das pessoas".

- A alma dessa historia é a riqueza permanecer aqui, O morador tem um enorme potencial de estimular as atividades econômicas que saem do próprio bairro. Essa moeda vai viabilizar que o dinheiro aqui permaneça. Quem sai para consumir em outro lugar deixará de fazer isso para gastar aqui.

O secretário Marcelo Henrique da Costa adiantou que a próxima comunidade a receber a instituição financeira será o Complexo do Alemão. Ainda sem data definida, a intenção, de acordo com o prefeito, é levar para o maior número possível de comunidades.

- Estamos trabalhando para levar para o banco comunitário para o maior numero de comunidades da cidade. A próxima vai ser no Complexo do Alemão. Vamos aprender aqui e levar para o Alemão, para Manguinhos e outros lugares. Essa é a primeira experiência concreta. O banco é presidido por uma pessoa da comunidade e a prefeitura é apenas um parceiro nesse processo.

Silva Jardim é exemplo de sucesso

Silva Jardim, município fluminense de 23 mil habitantes, deixou de fazer parte do noticiário pelas enchentes e ganhou destaque graças à chegada do Capivari”, moeda social criada para utilização na cidade que alavancou a economia regional.

A inspiração do prefeito Marcello Zelão (PT) surgiu com base em um projeto renomado mundialmente, ocorrido em Bangladesh (Ásia) e implantado pela primeira vez no Brasil em Fortaleza, com a moeda Palma, em circulação há mais de dez anos no bairro Conjunto Palmeiras, em Fortaleza.

Desta maneira, o mercado consumidor interno de Silva Jardim cresceu cerca de 30% desde o lançamento da moeda, no dia 8 de maio de 2011, de acordo com a Associação Comercial do município.

nota cdd- dcidade de deus

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