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27 de Maio de 2012

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Cinco vítimas prestam depoimento sobre
acidente com bonde de Santa Teresa

Polícia quer ouvir funcionários da empresa responsável pela manutenção

Evelyn Moraes, do R7 | 31/08/2011 às 15h38 | Atualizado em: 31/08/2011 às 16h36
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A polícia ouviu nesta quarta-feira (31) cinco vítimas do acidente com um bonde de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, no último sábado (27), matando cinco pessoas e ferindo 57. Segundo o inspetor Marcelo Camarte, as declarações são muito parecidas. Todos disseram que o bonde ganhou velocidade na descida da rua Joaquim Murtinho e que o motorneiro gritou que o veículo estava sem freio.

Os depoimentos começaram na segunda-feira (29), após a polícia identificar os feridos que foram hospitalizados. Ao todo, vinte pessoas já foram ouvidas. Segundo o inspetor, ainda há pertences de vítimas da tragédia na delegacia.

A Amast (Associação de Moradores de Santa Teresa) fará uma reunião nesta quarta-feira, às 19h, na Igreja Anglicana, no Largo dos Guimarães, no bairro, para discutir as providências em relação à tragédia e para dar apoio aos parentes dos feridos e mortos.

Polícia quer ouvir funcionários da Central

A polícia aguarda que os funcionários da Central (Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística), empresa responsável pela operação e manutenção dos bondes de Santa Teresa e vinculada à Secretaria Estadual de Transportes, se manifestem espontaneamente para prestar depoimento na Delegacia de Santa Teresa (7ª DP).

Na última terça-feira (30), o delegado Tarcisio Jansen entregou ofícios aos representantes da companhia, ao engenheiro responsável pela garagem dos bondes e à secretaria. Ele quer saber detalhes sobre a manutenção, a dotação orçamentária (se o dinheiro investido no serviço era suficiente) e sobre os fatos ocorridos no dia do acidente.

Eles só serão intimados a depor após o resultado do laudo pericial, que segundo o delegado, deve ficar pronto em 15 dias.

A expectativa é que essas informações possam contribuir com as investigações sobre a tragédia. A empresa tem sete dias para se pronunciar.

Acidente expôs precariedade dos bondes

O acidente que provocou a morte de cinco passageiros e feriu outros 57 no sábado (27) trouxe à tona a precariedade e o abandono na operação do sistema de bondes. O próprio governador Sérgio Cabral, que quebrou o silêncio quatro dias após o desastre, admitiu que os bondes estão sucateados.

No mês de julho, os bondes de Santa Teresa bateram recorde de público, com 93 mil passageiros transportados. Segundo o presidente da Central, Sebastião Rodrigues, o orçamento da estatal gira em torno de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por ano.

 

Além desse valor, o governo deveria ter investido R$ 14 milhões na modernização dos bondes, emperrada em uma batalha judicial e envolvida em uma polêmica sobre como devem ser os novos veículos. Outro problema é que o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio) considerou ilegal o contrato entre a Central e a empresa privada responsável pelo projeto de recuperação do sistema de bondes.

 

Assista aos vídeos: 

Governo tinha outras prioridades

Nesta quarta-feira (31), o secretário Estadual de Transportes, Júlio Lopes, admitiu que o governo não investiu o suficiente porque havia outras prioridades. Questionado por que os investimentos não foram feitos antes da tragédia, Lopes que ninguém poderia imaginar que um acidente como esse pudesse acontecer.

Réu em uma ação do Ministério Público Estadual que exige a recuperação dos bondes, o governo do Estado foi condenado em 2008 a modernizar o sistema, masrecorreu da decisão pelo menos duas vezes.

Entretanto, dois meses antes, o turista francês Charles Pierson, de 24 anos, morreu após se desequilibrar e cair dos Arcos da Lapa enquanto viajava em um bonde. Em 2009, a professora Andrea de Jesus Resende, de 29 anos, perdeu a vida depois que o bonde onde estava se envolveu em um acidente entre um ônibus e um táxi.

A precariedade do sistema de bondes de Santa Teresa foi denunciada em fevereiro deste ano em um relatório feito por vereadores do Rio, que visitaram a oficina e constataram “uma situação de abandono”. O relatório com denúncias e sugestões de intervenções no trânsito do bairro foi publicado no Diário Oficial do município e entregue à Secretaria Estadual de Transportes, responsável pelos bondes.

Para a presidente da Associação de Moradores do bairro, Elzbieta Mitkiewicz, o grave acidente foi uma tragédia anunciada. Moradores acusam o governo do Estado de omissão e negligência na manutenção dos bondes.

Em nota, a Secretaria Estadual de Transportes informou que sete bondes foram modernizados e restaurados até 2009, quando o processo teve a execução suspensa após a condenação pelo TCE-RJ. Segundo a nota divulgada nesta quarta-feira (31), em 2006 foi investido R$ 1,127 milhão. Nos dois anos seguintes foram gastos R$ 7,3 milhões.


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