Operação Guilhotina, em fevereiro, derrubou o então chefe da Polícia Civil
Marcelo Bastos, do R7 | 12/05/2011 às 16h06José Mariano Beltrame, secretário de Estado da Segurança Pública, demonstrou tranquilidade nesta quinta-feira (12) em audiência pública na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ao falar sobre a crise desencadeada pela Operação Guilhotina, em fevereiro deste ano, que derrubou o então chefe da Polícia Civil Allan Turnowski.
- Se o resultado da operação foi uma crise, então podemos nos preparar para outras crises porque eu não vou deixar de combater a corrupção. Deixem a agenda aberta porque eu vou vir aqui muitas vezes. Estou tranquilo. Sou um servidor e um servidor deve satisfação à sociedade.
Sobre o afastamento de Turnowski, e do fechamento da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas), delegacia que investiga as milícias e que colaborou com a Polícia Federal na operação, o secretário evitou causar polêmica.
- Se o chefe de polícia me diz que há provas cabais de crimes, eu mandaria fechar e fazer uma apreensão por lá, o que foi feito. Esse inquérito está em andamento na corregedoria da Polícia Civil e ainda não foi concluído. Já o Allan foi afastado antes do indiciamento, porque tomou medidas exageradas e que eu não achei de bom tom.
O secretário teve o trabalho elogiado por muitos deputados, mas teve de ouvir as críticas do deputado Paulo Ramos (PDT), que perguntou a Beltrame sobre a facilidade com que um falso coronel se infiltrou na secretaria e até sobre um convênio da Polícia Civil com a Fundação Getúlio Vargas, citando inclusive que a filha de Beltrame teria bolsa de estudos integral para estudar na instituição. Visivelmente irritado, Beltrame respondeu:- Eu queria dizer que o senhor está mentindo. Ela estuda lá, mas com um crédito educativo do qual eu sou avalista.
Sobre o falso oficial que ministrou cursos na secretaria, Beltrame admitiu o erro e afirmou que foi feito um recadastramento de servidores e que foram tomadas medidas para evitar novos casos.
A delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil, que acompanhou o secretário, disse que o índice de elucidação de homicídios está entre 25% e 30%, ao comparar com o índice de apenas 1% referente ao ano de 2007, segundo informações atribuídas pelo Ministério Público pelo deputado Flávio Bolsonaro.
A delegada também falou sobre o aumento no efetivo da Polícia civil e afirmou que já há autorização para a realização de concursos para investigadores, peritos e delegados.
Martha também foi questionada sobre a transferência do hospital da corporação, que deverá estar construído até o fim do ano, em um terreno cedido pela Prefeitura do Rio, no Estácio.
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