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31 de Outubro de 2014

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Conheça o "Trem Fantasma" que circula na Baixada Fluminense

Composições antigas têm marcas de ferrugem, paredes descascadas e goteiras

Evelyn Moraes, do R7 | 24/10/2012 às 05h30
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Sair da Baixada Fluminense de trem não é fácil, muito menos confortável. As viagens das estações Guapimirim e Vila Inhomirim até Saracuruna, em qualquer horário, são feitas por composições da década de 1960, movidas a diesel.

O tempo de existência não seria o problema, caso todos os trens fossem reformados. As composições são velhas, enferrujadas, sem refrigeração ou adaptações para deficientes físicos. O sistema é tão precário, que os trens ganharam o apelido de "Trem Fantasma" e "Maria Fumaça". (veja fotos)

Os relatos são de passageiros que utilizam o meio de transporte todos os dias para ir de casa ao trabalho. O R7 publica nesta terceira reportagem da série sobre a rede ferroviária do Rio a experiência do analista de sistemas Carlos Henrique Machado, morador de Magé, município da baixada.

A viagem no "Trem Fantasma" ou "Maria-Fumaça"

Pego o "Trem Fantasma" bem cedinho, às 6h, horário de rush, na estação de Piabetá, em Magé. Vou apertado, com muito calor, impaciente para chegar até a estação de Saracuruna. Lá, embarco em outro trem e sigo até Triagem, na zona norte da capital fluminense.

 O trem "Maria Fumaça" parece trafegar a 20 km/h e o maquinista para ao menos seis vezes durante o percurso para mudar a rota manualmente, tarefa feita nos trens novos de modo automático pelo Centro de Controle Operacional da Supervia (concessionária responsável pelos trens no Rio). A viagem de Piabetá até Saracuruna demora 40 minutos, em um trecho que não chega a ter 15 km.

Em dias de chuva, chega a ser impossível entrar nas composições. Goteiras e poças d’água tomam conta da entrada e dos assentos. E não há nenhum funcionário para retirar a água ou mesmo limpar os bancos para os passageiros sentarem.

As marcas de ferrugem nas janelas e paredes revelam quão antigos são os trens. O sistema a diesel denuncia a falta de investimento da Supervia neste caminho tão importante para a população, que já foi rota de comércio na época do Império.

Usuários de drogas e animais circulam livremente pelos trilhos, principalmente à noite, quando as estações ficam abandonadas. Não há muros e cercas para evitar a invasão.

A falta de sinalização entre as estações de Piabetá e Manoel Belo já provocou uma série de acidentes. Os passageiros muitas vezes são obrigados a atravessar pela linha férrea, já que as passarelas são antigas e precisam de reformas emergenciais, pois correm o risco de desabar a qualquer momento.

Supervia promete mudanças até 2017

O diretor de Operações da Supervia, João Gouveia, diz que a concessionária pretende levar o trem elétrico até Vila Inhomirim. Antes disso, a empresa faz um estudo de viabilidade técnica e econômica para definir como isso será possível.

Segundo a Supervia, os trechos Saracuruna-Vila Inhomirim e Saracuruna-Guapimirim receberão investimentos de R$ 50 milhões até 2017. A quantia será investida na reforma de carros e locomotivas, revitalização da via (substituição de trilhos e dormentes) e adequação de estações.

Segundo a concessionária, duas composições (com três carros cada) foram reformadas em 2011. Outra composição de três carros será entregue em janeiro do próximo ano, quando também serão finalizadas as obras de adequação das estações Vila Inhomirim, Fragoso e Saracuruna. 

Neste ano, entrou em circulação a primeira locomotiva modernizada. De acordo com a Supervia, outras três estão sendo reformadas e começam a operar em dezembro.


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