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22 de Setembro de 2014

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Entenda a Operação Purificação que prendeu mais de 60 PMs no Rio

Policiais cobravam propina de traficantes para liberar venda de drogas

Do R7 | 08/12/2012 às 01h00

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A Operação Purificação, realizada na última terça-feira (4) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, prendeu 63 policiais militares do Batalhão de Duque de Caxias (15º BPM). De acordo com o MP (Ministério Público), os PMs recebiam propina de traficantes de 13 comunidades da cidade para não reprimir o tráfico de drogas na região. A ação contou com a parceria da Secretária de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Militar e MP do Rio.

A Justiça expediu 83 mandados de prisão, dos quais 65 contra PMs, todos lotados no Batalhão de Duque de Caxias. Até a noite de sexta-feira (7), 63 PMs haviam sido presos, 61 por mandados judiciais e dois em flagrante. O tenente-coronel Cláudio de Lucas Lima, que estava à frente da unidade policial, foi afastado da corporação. Dos 18 mandados contra traficantes, 11 foram cumpridos.

Os suspeitos foram denunciados à Justiça pelos crimes de formação de quadrilha armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão mediante sequestro.

Segundo a denúncia, os PMs não se limitavam a receber dinheiro para deixar de reprimir o tráfico. As investigações revelaram que os PMs também sequestravam bandidos e seus familiares, apreendiam veículos da quadrilha de traficantes, exigindo dinheiro para devolução, negociavam armas e realizavam operações oficiais quando o pagamento da propina atrasava.

O principal alvo dos policiais era a favela Vai Quem Quer, mas os suspeitos agiam também nas comunidades Beira-Mar, Santuário, Santa Clara, Centenário, Parada Angélica, Jardim Gramacho, Jardim Primavera, Corte Oito, Vila Real, Vila Operário, Parque das Missões e Complexo da Mangueirinha.

As investigações apontam que, somente na favela Vai Quem Quer, os traficantes desembolsavam R$ 5.000 por dia como pagamento de propina - cerca de R$ 150 mil por mês. Segundo Fábio Galvão, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, cada GAT (Grupamento de Ações Táticas), responsável pelas operações em favelas, recebia R$ 2.500 por plantão, que dá uma média de R$ 150 mil por mês, sem contar os valores recebidos de criminosos das outras 12 comunidades.

Conexão Rio-Mato Grosso do Sul

No núcleo do tráfico, Carlos Braz Vitor da Silva, conhecido como Paizão ou Fiote, é suspeito de chefiar o tráfico nas favelas de Caxias e, de acordo com investigações, mesmo preso na Penitenciária Vicente Piragibe, no Complexo de Bangu, mantém frequentes contatos telefônicos com seus subordinados.

A denúncia relata que um dos homens de confiança de Fiote é Willian da Silva, Pit ou Cabeça, elo de ligação entre a quadrilha e os policiais militares da região. Ele é suspeito de ser responsável pelo pagamento das propinas, por negociação do resgate de homens do bando sequestrados por policiais e pela liberação dos carros apreendidos pelos policiais.

A quadrilha de Fiote, segundo a investigação, além de manter parceria com o tráfico de drogas no Complexo do Lins, no Parque União e na favela Nova Holanda – que também são alvo da Operação Purificação – estendeu sua atuação para fora do Estado do Rio, estabelecendo relações com traficantes de Mato Grosso do Sul, de onde vem parte das drogas vendidas nas favelas de Duque de Caxias.

Assista ao vídeo:


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