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27 de Maio de 2016

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Operação Purificação: escutas revelam que PM prestou depoimento em favor de traficante em Caxias

Traficante diz que advogado combinou o teor do depoimento do policial

Marcelo Bastos, do R7 | 05/12/2012 às 10h06
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As investigações que resultaram na Operação Purificação, desencadeada ontem, pelas polícias Federal e Militar, Ministério Público e Subsecretaria de Inteligência, revelam que um PM teria prestado depoimento favorável a um traficante para evitar que ele fosse condenado pela Justiça. Durante a operação, 63 PMs foram presos e quatro continuavam foragidos até a última terça-feira (4).

No dia 27 de maio, policiais do Batalhão de Duque de Caxias (15º BPM) prenderam Jeferson Ferreira Abrantes, o Nando, e apreenderam um menor com drogas e um revólver calibre 38. O caso foi registrado na Delegacia de Imbariê (62ª DP). Três dias depois, Nando faz contato por telefone com um traficante da favela Vai Quem Quer e pede para o comparsa “desenrolar” com o policial, a quem chama de “cachorro”.

Um outro traficante diz a Nando que o policial vai depor de forma favorável a ele. O traficante diz que o menor também iria confessar que toda a droga era dele. Durante a conversa, o criminoso diz a Nando que o “verme”, referência ao policial, iria dizer que não encontrou nada com Nando.

Em outra conversa telefônica, captada no dia 26 de agosto, Nando demonstra preocupação com a audiência judicial sobre o caso e com o “acertado” entre o traficante e o segundo sargento da PM, que conduziu a ocorrência na delegacia.
O traficante diz a Nando que tudo estava sob controle, que já tinha falado com o policial na sexta-feira e o PM não atribuiria responsabilidade a Nando pela posse das drogas e do revólver.  O comparsa de Nando diz até que o advogado chegaria mais cedo ao Fórum para combinar com o PM o que ele deveria dizer.

Já no dia 28 de agosto, o traficante que conversava com Nando diz a uma mulher que integrava a quadrilha para levar o advogado até o encontro do policial no Fórum. O traficante passa informações sobre a descrição física do policial, o que, para o Ministério Público, é uma demonstração da intimidade entre policiais e traficantes.

Em abril, Nando, que era considerado foragido da Justiça, foi extorquido pelos PMs, que receberam R$ 1.500 para não prendê-lo.

Sequestros por propinas

Para receber diárias de traficantes em troca da não repressão do comércio ilegal em 13 favelas de Duque de Caxias, um grupo formado por 65 policiais militares do Batalhão de Duque de Caxias (15º BPM) sequestrava traficantes e seus parentes como forma de pressionar os criminosos a fazer os pagamentos em dia.

De acordo com as investigações, um grupo de policiais chegou a pedir R$ 200 mil de resgate pela libertação de um traficante. A negociação foi caindo e chegou ao valor de R$ 3.000. Os policiais rejeitaram a oferta e apresentaram o criminoso a uma delegacia da região.

Além de traficantes e familiares, os policiais também sequestravam veículos. Eles apreendiam os carros dos criminosos e cobravam valores para devolver os veículos. Um traficante considerado foragido da Justiça também sofreu extorsão para não ser preso.

A ganância dos policiais era tão grande que oito deles chegaram a ser transferidos para outros batalhões e, mesmo assim, tentavam extorquir dinheiro de traficantes de Duque de Caxias, como explica o promotor Décio Alonso, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado).

— Eles tentavam tomar dinheiro dos traficantes mesmo não trabalhando mais na região. Quando os traficantes descobriam, paravam de pagar.

Kit apreensão

Durante as investigações, a polícia descobriu que um dos PMs investigados vendeu um fuzil por R$ 45 mil a um traficante. Como precisavam cumprir as metas estabelecidas pela Secretaria de Segurança Pública de prisões e apreensões, era comum os PMs não cumprirem o acordo com os traficantes.

Também era comum os policiais forjarem uma espécie de “kit apreensão”, com armas e drogas fornecidas pelos traficantes como se tivessem sido realmente apreendidas durante as operações.

Em uma das escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, um traficante liga para um PM e diz que vai deixar a escopeta calibre 12 dentro da geladeira de um bar em uma favela. Pouco depois, o PM retorna a ligação e diz que deixou R$ 300 para o traficante, como pagamento pelo favor. Na gravação, o traficante fala: “Vou deixar uma arma aí para você apresentar”.

Em outra gravação, um PM fala para um traficante: “Se ficar bom para vocês, vai ficar bom para a gente também”, em uma insinuação de que o acordo para não reprimir o tráfico seria lucrativo para policiais e traficantes.

Assista ao vídeo:


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