Temor era que os policiais se unissem ao movimento
Do R7, com Rede Record | 04/06/2011 às 22h02 | Atualizado em: 04/06/2011 às 22h48A manifestação dos bombeiros do Rio, que lutam por melhores salários e condições de trabalho, iniciada na tarde de sexta-feira (3), terminou na invasão do Quartel Central da corporação e confronto com a Polícia Militar. A ação ainda resultou na prisão de 439 membros do Corpo de Bombeiros na Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana.
A atitude da polícia foi vista como absurda pelos manifestantes, mas o especialista em segurança, Jorge da Silva, considerou a decisão necessária, pois havia a possibilidade de, no futuro, policiais e bombeiros se unirem e fazerem dos protestos atos sem controle.
- Você tem ali PMs reprimindo os bombeiros que lutam também por melhores salários para a polícia. Então, era melhor frear a situação no início para evitar que essa hipótese (de união) se concretize.
Os bombeiros foram presos por volta das 5h deste sábado (4). Depois de passarem o dia confinados, eles reclamaram que ficaram mais de 12 horas sem comer. Segundo o tenente Adilson Bandeira, que trabalha no rabecão (serviço de resgate de cadáver do Corpo de Bombeiros), a PM distribuiu um lanche por volta das 18h.
Os bombeiros detidos continuavam no pátio da Corregedoria da PM até a noite deste sábado. Muitos estavam presos dentro de ônibus e micro-ônibus da PM. De acordo com a instituição, a previsão é a de que estes agentes sejam transferidos para os quartéis da Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, e de Charitas, em Niterói, na região metropolitana.
O Ministério Público estuda a possibilidade de denunciar os bombeiros que participaram do protesto de sexta e deste sábado por impedimento de socorro, dano ao patrimônio público e motim.
Cabral diz que não negocia com vândalos e exonera comandante dos bombeiros
O governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, durante entrevista coletiva no início da tarde deste sábado. O cargo será ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que é subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
- O descontrole hierárquico me obrigou a fazer essas mudanças. Mas agradeço ao coronel Pedro Machado pelo trabalho que desempenhou no Corpo de Bombeiros do Rio.
O governador chamou os bombeiros de vândalos e informou que eles vão responder criminalmente e administrativamente pelo episódio.
Corpo de Bombeiros diz que atendimento à população está normal
O Comando Geral do Corpo de Bombeiros esclareceu às 17h30 deste sábado (4) que a rotina de atendimento à população está mantida. Postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, assim como quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências e serviços de socorro (combate a incêndios, salvamentos e desabamentos) estão operando normalmente.
Segundo a corporação, os substitutos dos bombeiros detidos pela Polícia Militar já assumiram seus postos desde o inicio desta manhã na troca normal de plantões.
Secretaria de Saúde divulga lista de danos do Quartel Central
A invasão dos bombeiros ao Quartel Central da corporação, na noite de sexta-feira (3), danificou uma série de itens do estabelecimento. A contabilidade do prejuízo foi divulgada pela Secretaria de Saúde e Defesa Civil.
No início da ação, os manifestantes quebraram o cadeado do portão principal e depois arrombaram os portões laterais e dos fundos. Em seguida, vasos de plantas foram quebrados, além de um portão de ferro.
No refeitório, o arame de isolamento do muro foi cortado, três portas arrombadas e o vidro de uma janela acabou sendo quebrado.
Conforme a invasão se intensificou, cadeiras, uma mesa de sinuca, armário, geladeira, mais portas, bebedouro, lixeiras e extintores foram danificados.
Até mesmo algumas viaturas ficaram quebradas, desde o para-brisa rachado até pneus furados.
Manifestações em maio
Os bombeiros realizaram durante o mês de maio uma série de manifestações e chegaram a entrar em greve. Com prisão decretada por serem considerados líderes das manifestações, o major Luís Sérgio, o capitão Alexandre Marchesini, o sargento Valdelei Duarte e o cabo Benevenuto se entregaram no QG (Quartel Central) da corporação, no centro do Rio, no dia 17 de maio. De acordo com Valdelei, todos foram soltos três dias depois.
Em entrevista no dia 12 de maio, o governador Sérgio Cabral não se mostrou preocupado com as reivindicações dos bombeiros. Segundo Cabral, o movimento não afetaria o Estado e teria sido incitado e até mesmo financiado por políticos de oposição.
No último dia 25 de maio, os manifestantes se reuniram com o secretário de Planejamento do Estado, Sérgio Ruy. O encontro, porém, não resultou em novidades. A decisão do governo foi mantida e nenhum aumento à classe foi prometido fora do que já estava planejado.
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