R7 - Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

27 de Maio de 2012

Notícias

Estudante espancado tinha marca
de mordida nas costas, diz médico

Vítor Suarez fez exames antes de receber alta; equipamentos custaram R$ 60 mil

Marcelo Bastos, do R7 | 08/02/2012 às 17h20
Publicidade

Apesar de ter recebido alta do hospital nesta quarta-feira (8), sete dias após ser espancado ao tentar defender um morador de rua, na Ilha do Governador, o estudante Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, ainda vai precisar fazer revisões médicas com freqüência até ser comprovado que não ficará com sequelas. Até marca de mordida nas costas os médicos encontraram no corpo do estudante. No total, os equipamentos usados custaram cerca de R$ 60 mil.

Segundo o médico Leonardo Peral, Cunha terá de voltar ao hospital daqui a dez dias para verificar se o globo ocular não ficou com os movimentos comprometidos. Ele também vai precisar retirar os pontos.

Ele ainda tem hematomas e inchaços. Daqui a dez dias, eles vão diminuir e vamos conseguir verificar se houve alguma alteração nos movimentos do globo ocular. Por enquanto, ele está com todas as funções normais. Não teve visão, respiração, audição, nenhuma função comprometida. Teremos de acompanhar de perto a evolução dele pelos próximos três meses.

O médico explicou ainda que todos os ossos quebrados estão na posição perfeita e que as oito placas de titânio, as três membranas protetoras e os 63 pinos estão corretamente alinhados e que não houve rejeição.

Faria de novo

Cunha saiu do hospital por volta das 16h30 desta quarta e disse não se arrepender de ter tentado defender um mendigo quando foi atacado pelos suspeitos.

- Eu não me arrependo. Não fui um herói. Vi uma pessoa sendo agredida e pedi para parar. Fui falar na boa, mas aí aconteceu o que aconteceu. Faria tudo de novo hoje e faria tudo de novo amanhã.

O estudante deixou o hospital Santa Maria Madalena acompanhado da mãe, do pai, de outros familiares e da equipe médica. Ao falar sobre as agressões, o estudante de desenho industrial chorou.

Cunha passou por uma tomografia antes de sair do hospital que mostrou que as placas e os pinos colocados no rosto do estudante estão alinhados e que esta constatação superou as expectativas da família.

- Eu estou muito bem. Eu nem acredito. Estou falando normal. Hoje é um dia ótimo para mim. queria agradecer todo mundo que me deu força. Eu quero comer um hambúrguer, tomar um refrigerante, entrar na internet, ver TV, jogar videogame, ficar com meus amigos. Só quero voltar a ser o que eu era: normal.

O rapaz disse esperar que seu caso sirva de exemplo para que pais ensinem os filhos a "mudar as coisas".

 

- Eu não aprendi nada com esse episódio, apenas confirmei o que eu já sabia: muita coisa precisa mudar. A gente tem que fazer um pouco para as coisas poderem mudar. Espero que o meu caso sirva de exemplo. Que as pessoas lembrem do meu caso e passem um ensinamento para os seus filhos. Pequenas atitudes vão mudando as coisas. Não adianta porque o mundo não muda de uma hora para a outra.

 

A mãe do rapaz, a assistente social Regina Suarez, disse que o estudante olhou pela janela nesta quarta e comemorou a presença do sol. 

- Todos nós estamos muito felizes. Está tudo como deveria estar. Não há nada fora do lugar. Tudo foi melhor do que o esperado, tanto a cirurgia, a recuperação do meu filho, a forma como o organismo dele reagiu. Há poucos dias eu só chorava e agora eu só consigo rir. Acho que dificilmente terei um dia mais feliz na minha vida.

Cinco presos

O quinto suspeito de espancar o estudante se apresentou na tarde desta quarta-feira na Delegacia da Ilha do Governador (37ª DP), onde o caso foi registrado. De acordo com a Polícia Civil, ele se chama Edson Luiz JúniorNa segunda-feira (6), o morador de rua, que também foi agredido pelo grupo, esteve na delegacia. Identificado como João Araújo Teles, de 47 anos, ele falou para o delegado que não se lembra do que aconteceu no dia da agressão porque estava embriagado.

Entenda o caso

Vítor foi espancado no último dia 2 ao intervir em uma agressão a um morador de rua. Ele permanece internado no Hospital Santa Maria Madalena, na Ilha.

De acordo com o hospital, foi preciso implantar oito placas de titânio na testa e no céu da boca da vítima, assim como 63 parafusos, enxerto e três membranas protetoras, entre outros.

O crime aconteceu na praça Jerusalém, no Jardim Guanabara, área de classe média alta na Ilha.

O pai de um dos agressores, que não quis se identificar, disse que a família também está sofrendo.

- Ninguém cria um filho para ser agressor ou agredido. O sofrimento é de todo mundo.

Todos os suspeitos são jovens de classe média alta. Os socos e chutes contra o estudante só pararam depois que o amigo dele se jogou sobre ele para impedir o espancamento. Vítor ficou desacordado. Um dos agressores tentou justificar o ataque ao morador de rua e teria falado que, pela manhã, o pai dele iria fazer uma caminhada pelo local e que não queria passar por um mendigo no caminho.

Assista aos vídeos:




 
Veja Relacionados:  Estudante, espancado, passa, exames, alta, confiante, recuperação
Estudante  espancado  passa  exames  alta  confiante  recuperação 
 
Espalhe por aí:
  • RSS
  • Flickr
  • Delicious
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google
 
 
 
 

Fechar
Comunicar Erro

Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.

Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7
Mensagem enviada com Sucesso!Erro ao enviar mensagem, tente novamente!
RSS