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27 de Maio de 2016

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Falta de munição e poucas aulas de tiro comprometem
formação de PMs da UPP do Complexo do Alemão

Recrutas reclamam de falhas no treinamento em curso da Polícia Militar

Carlyle Jr., do R7 | 17/09/2011 às 14h19
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Os futuros policiais militares que devem integrar a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, em março de 2012, reclamam que têm poucas aulas de tiros e de abordagem policial durante o curso de formação de soldados.

Os alunos do CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças), a principal porta de entrada da Polícia Militar, relatam ainda atrasos no recebimento dos uniformes e problemas na alimentação e acomodação oferecidas na unidade.

De acordo com o regulamento da PM, os alunos do CFAP devem fazer 330 disparos com diversas armas, como fuzil, pistola calibre 40 e revólver 38, durante os seis meses de curso. No entanto, um recruta, que não quis se identificar por medo de represálias, conta que só deu 70 tiros, apenas 21% do que o treinamento exige, em cinco meses de aula.

Outro aluno relata que, muitas vezes, a munição acaba antes de chegar a sua vez de atirar.

- A munição é sempre um problema nas aulas. A gente faz um revezamento para que todo mundo tenha a chance de atirar.

Um instrutor do CFAP confirma a reclamação dos alunos e conta que a falta de munição sempre fez parte das principais carências do centro de treinamento.

- Os alunos sempre enfrentam esse problema durante o curso de formação. Falta de munição é um problema crônico do CFAP.

Os recrutas temem que as falhas no treinamento prejudiquem a atuação no combate à criminalidade nos morros cariocas. Uma aluna reclama que as aulas de abordagem policial estão de longe de ser compatíveis com a realidade nas ruas.

- Tem gente procurando curso fora do CFAP. Acho que não estamos preparados para uma possível invasão de criminosos, por exemplo.

Falta de fardas e rachaduras em prédio

A falta de fardas e uniformes é outro problema que incomoda os alunos. Eles relatam que, sem roupas adequadas, os instrutores determinaram que os recrutas deveriam usar calças jeans azuis, camisetas brancas e tênis preto durante o treinamento. Uma aluna conta que teve que comprar o “novo uniforme”.

- A ajuda de custo, que não chega a R$ 800, não dá para nada e ainda tive comprar as roupas e o tênis. 

A alimentação no CFAP também não está agradando os futuros policiais. Outro recruta lembra que, por causa da comida, vários alunos tiveram problemas intestinais e foram impedidos de retornar para casa em um fim de semana.

- A comida é muito ruim. Uma vez comprei uma quentinha e quase fiquei preso no quartel por causa disso.

Um instrutor relata também problemas na estrutura do prédio da 5ª Companhia, um dos locais de acomodação dos recrutas. Segundo ele, apesar de recém construído, o lugar tinha rachaduras nas paredes e nas pilastras, o que teria atrasado o ingresso de uma nova turma no CFAP. Ainda de acordo com o instrutor, o edifício passou por uma reforma para corrigir os defeitos na construção.

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Segundo instrutor, prédio da 5ª CIA passou por reforma por causa de rachaduras (Foto: Carlyle Jr. / R7)

Pressa para formar novos policiais

Segundo a Polícia Militar, cerca de 3.200 alunos fazem o curso de formação de soldados no CFAP. No início de setembro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou que outros 1.800 PMs devem se formar até o fim de 2011 e integrar o quadro de agentes das favelas pacificadas.

Para o ex-comandante geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, a pressa em formar novos policiais para atender a demanda nas ruas pode prejudicar o planejamento e o cronograma do curso de formação de soldados.

- A necessidade política de colocar mais policiais nas ruas, às vezes, provoca um apelo para que a polícia acelere a formação. O programa de treinamento da polícia é excelente e, se for seguido corretamente, o PM terá um bom preparo. Mas se houver uma vontade política de acelerar e encurtar a formação, aí haverá uma deformação do novo policial.

Visita de Beltrame 

Após a denúncia de que policiais militares da UPP dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro, no Catumbi, zona central do Rio, recebiam propina de traficantes, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou que a conduta dos PMs e as falhas no treinamento dos agentes podem explicar o comportamento corrupto.

- Eu acho que é um conjunto de coisas, que pode ser treinamento, academia e formação.

No fim de julho, Beltrame esteve no CFAP e constatou alguns problemas relatados pelos alunos. Ele não gostou do que viu e pediu a troca do comando do centro de treinamento. Por conta disso, o coronel Carlos de Souza Alves, então comandante do Batalhão de Jacarepaguá (18º BPM), passou a ocupar o cargo da oficial Edite Bonfadini.

Na avaliação do coordenador do curso de Aprimoramento da Prática Policial Cidadã da ONG Viva Rio, Fabiano Monteiro, os problemas relacionados à formação policial podem interferir na conduta dos agentes.

- A valorização profissional é um fator que influencia diretamente no bom desempenho de um profissional. Qualquer deficiência prejudica o processo de formação de um bom policial.

Procurada pelo R7, a Polícia Militar não se pronunciou até a publicação desta reportagem.


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