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1 de Agosto de 2014

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Faltam 3.205 médicos em hospitais públicos do Rio

Pediatras e clínicos gerais são a principal carência da rede de saúde no Estado

Isabele Rangel, do R7 | 16/11/2011 às 05h45
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Para suprir a atual necessidade da rede de saúde pública do Estado do Rio de Janeiro, seria necessária a contratação imediata de, ao menos, 3.205 médicos. A estimativa foi feita com base nas 2.705 vagas abertas pelo Estado e pela prefeitura em concursos no Rio e no levantamento feito pelo Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro), que aponta um déficit de 500 médicos nos hospitais federais.

Para suprir a carência de profissionais, o governo estadual abriu um processo seletivo para contratação de 1.005 médicos, enquanto o município espera preencher 1.700 vagas por meio de concurso.

Pediatria e clínica geral são as especialidades mais afetadas. Para a presidente do Cremerj, Márcia Rosa Araújo, o principal problema são os baixos salários, que desestimulam os médicos.

- Um bom exemplo desta questão é a remuneração de R$ 1.500 para 20 horas semanais que está no edital da Prefeitura do Rio. Esse salário não atrai profissionais de qualidade. Além disso, desvaloriza um concurso e afronta as entidades médicas.

Mesmo com as críticas do Conselho, 2.300 médicos se inscreveram - segundo a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores do Rio - para a prova do município, que tem 1.700 vagas.

Na rede federal, a situação mais complicada está no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na zona oeste, que trabalha com apenas 50% dos anestesistas necessários. De acordo com o Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, a principal causa da falta de profissionais é a aposentadoria de médicos.

Ambulatórios de várias especialidades precisaram ser fechados para suprir a emergência da unidade de saúde. Entre eles, está o de pediatria, que foi reformado recentemente, mas não pôde abrir por falta de médicos.

CPI à vista

A falta de profissionais de saúde nos hospitais da cidade levou o vereador Paulo Pinheiro (PSOL) a recolher assinaturas para a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). O documento, com 17 assinaturas, ainda não foi colocado em votação pela presidência da Câmara dos Vereadores. Apesar da carência de médicos, Pinheiro diz que a contratação por meio das Os (Organizações Sociais) não é a solução. As OS são fundações contratadas pelo Poder Executivo para gerir recursos da saúde.

- Há uma enorme confusão nos recursos humanos da Saúde no Rio. Na mesma emergência, há profissionais que ganham R$ 1.500 e médicos que recebem R$ 2.100 para trabalhar com a mesma carga horária, o que desestimula a equipe. Outro problema é que os médicos contratados pelas fundações são muito inexperientes.

Segundo o parlamentar, o número de contratados pela Fiotec (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde) chega a 36% do total de médicos do município.

O outro lado

O MS (Ministério da Saúde) no Rio informou que novas contratações estão sendo estudadas, mas dependem de aprovação do Ministério do Planejamento. Porém, segundo a pasta, desde 2009, o Hospital Federal Cardoso Fontes recebeu 89 novos médicos que permanecem atuando na unidade. Sobre a afirmação do Cremerj, de que faltam 500 médicos na rede federal, o MS não se pronunciou.

Já a Secretaria Municipal de Saúde afirma que contratou 1.550 médicos e reforçou que está em andamento um concurso público, que oferece 1.700 vagas para profissionais de diversas especialidades.

A Secretaria Estadual de Saúde não revelou o atual déficit de médicos, mas informou que está realizando um concurso público para contratação de 1.005 profissionais.

Os certames do Estado e do município já estão com as inscrições encerradas e os candidatos aguardam as datas das provas.


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