Postos avançam em comunidades, mas condições são inadequadas
Evelyn Moraes e Carolina Farias, do R7 | 01/08/2011 às 05h56A rapidez com que o governo do Estado do Rio de Janeiro instala UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na capital contrasta com as condições ruins de trabalho oferecidas aos policiais que atuam nas comunidades pacificadas. Nos últimos 12 meses a cidade ganhou nove unidades, mas faltam aos PMs dessas novas UPPs uniformes, banheiros, refeitórios e viaturas. Os coletes à prova de balas são de tamanho errado e muitos deixam de usar o equipamento.
Policiais denunciam o atraso no pagamento de gratificações e que não têm vale-transporte
A reportagem do R7 entrevistou policiais - que prefeririam não se identificar, temendo represálias - e percorreu algumas favelas pacificadas, onde encontrou PMs trabalhando sem colete à prova de balas. Segundo eles, não há tamanho adequado do equipamento para todos. Um policial que monitora o morro da Coroa, no Catumbi, na região central do Rio, alega que só há coletes grandes e extragrandes.
- Só tem coletes G e GG. Eu prefiro nem usar, porque fica muito grande. Estamos trabalhando no risco.
O mesmo ocorre na UPP do morro dos Prazeres, em Santa Teresa (centro). Um PM relata que o colete grande dificulta a locomoção.
- Eu tenho 1,96 m de altura e com um colete GG minha mobilidade fica ruim. Imagina quem é menor? E não tem colete menor.
Um dos policiais que trabalham no morro do Turano, na Tijuca, zona norte, diz que só recebeu uma farda para trabalhar. Ele mora no interior do Estado e é obrigado a usar a mesma roupa durante toda a semana, pois não dá tempo de lavá-la e secá-la.
Enquanto o governo não constrói bases fixas nas comunidades pacificadas, policiais têm somente contêineres como apoio. No entanto, essas estruturas não têm refeitório, vestiários e número de banheiro suficiente – na UPP do São João (zona norte), há um sanitário para 50 homens. Por isso, os soldados são obrigados a “se virar” para fazer suas necessidades.
Como não há refeitório, os soldados não têm como levar quentinhas para o trabalho e, assim, dependem de bares e restaurantes para comer, opção bem mais cara para quem tem um vale refeição de R$ 162 por mês.
- De tanto comer besteira à noite comecei a ter dores de estômago e um exame detectou uma inflamação.
No morro dos Prazeres, há só um banheiro, compartilhado por homens e mulheres. A porta quebrada impede que ela seja trancada.
- As mulheres se sentem mal. Mas aqui todo mundo é profissional.
De acordo com a assessoria de comunicação das UPPs, a construção das bases de alvenaria é um processo complexo, porque é difícil encontrar terrenos ou imóveis para comprar em áreas de ocupação irregular, como as comunidades. Os contêineres, segundo a assessoria, são estruturas provisórias. Entretanto, não há previsão para a instalação de bases permanentes.
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7