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27 de Maio de 2016

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Familiares de vítimas de violência se reúnem no Rio
em ato que marca os oito anos da morte de Gabriela

Dezenas de camisetas foram penduras na estação do metrô onde a jovem foi baleada

Mariana Costa, do R7 | 26/03/2011 às 14h45
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Dezenas de familiares e amigos de vítimas da violência se reuniram na tarde deste sábado (26) em frente à uma estação do metrô, na Tijuca, zona norte do Rio, em um ato que marcou os oito anos da morte de Gabriela Prado Maia Ribeiro, de 14 anos, vítima de bala perdida.

Centenas de camisetas com fotos e mensagens foram penduradas no acesso à estação São Francisco Xavier, onde Gabriela foi atingida durante uma troca de tiros entre policiais e criminosos que tentavam assaltar a bilheteria do metrô, em 25 de março de 2003.

Em comum, todos compartilham a revolta dos que ainda não se conformaram e a tristeza resignada daqueles que há vários anos lutam contra a impunidade e o esquecimento, como os pais do menino Maicon, que há 15 anos se mobilizam para que o crime não fique impune.

A criança, que tinha apenas dois anos na época, foi morta por um policial militar enquanto brincava em frente à casa da família, na zona norte do Rio.

Mãe de Maicon, Maria da Penha Souza Silva, de 53 anos, diz que muitas vezes encontra mais compreensão entre o grupo do que na própria família. A união é para muitos uma forma de compartilhar o sofrimento e trocar experiências, na expectativa de diminuir a dor causada pela morte de um ente querido.

- Estarmos aqui ameniza, ao mesmo tempo que nos fortalece. Todos se entendem. Com a família é difícil ficar se lamentando o tempo todo.

A emoção contida dos pais do operador de telemarketing Luis Paulo Oliveira Barbosa, de 20 anos, revela a força do casal após a inexplicável violência que tirou a vida do filho na véspera do Natal do ano passado. Luis foi atacado com golpes de punhal por um professor de Física em frente ao local onde trabalhava, na rua Frei Caneca, no centro de São Paulo.

Eles vieram de São Paulo, onde moram, para o Rio apenas para participar do ato.

O assassino confesso de Luis é um professor da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de 40 anos. Ele foi indiciado e teve a prisão decretada, mas por ser universitário e réu primário, aguarda o julgamento em liberdade e, segundo o pai da vítima, José Antônio Barbosa, de 40 anos, voltou a dar aulas.

- A vida dele segue normalmente, enquanto a nossa foi destruída.

Entre os presentes, estava o juiz trabalhista Marcelo Alexandrino da Costa, que teve o carro metralhado por policiais civis que faziam uma blitz na estrada do Pau Ferro, que liga a zona norte à zona oeste do Rio. Ele e os filhos foram atingidos pelos disparos, mas conseguiram se recuperar.

- As pessoas acham que lutar pelos seus direitos é procurar o Poder Judiciário, mas isso que está acontecendo aqui é a verdadeira luta em defesa dos direitos humanos.

Dezenas de vasos de violeta na calçada em frente ao metrô formavam o nome de Gabriela. O ato chamou a atenção de quem passava pelo largo da Segunda-Feira, na Tijuca.

Também participaram do ato a mãe do lutador Marcos Jara, morto por criminosos em uma tentativa de assalto na zona oeste do Rio quando viajavam para Paraty, no sul do Estado. Jane Albuquerque conta que perdoou os assassinos do filho, mas que gostaria de vê-los na cadeia.

- Estou lutando por isso. Minha vida acabou. Todos os dias tomo remédios para conseguir dormir.

Estiveram presentes ainda a irmã do jornalista Tim Lopes, familiares de vítimas da dengue e de erros médicos, parentes de Julio Cesar, funcionário de um lanchonete morto ao ser confundido com um traficantes na Cidade Alta, na zona norte, entre várias outros casos de violência.

Mariana Costa / R7            

Mãe e tia de Julio Cesar Menezes, morto por PMs ao ser confundido com traficante

Mãe e tia de Julio Cesar Menezes, morto pela polícia ao ser confundido com um traficante na Cidade Alta

 
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