População fica apreensiva a cada caminhão que estaciona no Instituto
Carlyle Jr, do R7, em Nova Friburgo | 13/01/2011 às 16h47Os irmãos Cledineia e Flávio da Silva estão de prontidão na porta do IML (Instituto Médico Legal), improvisado no Instituto de Educação de Nova Friburgo, no centro da cidade, desde o início da manhã desta quinta-feira (13). Eles esperam por notícias dos pais e de dois sobrinhos adolescentes que estão desaparecidos desde terça-feira (11).
Caminhões com corpos e caixões chegam a todo o momento à porta do IML, deixando a população ainda mais apreensiva. A cada caminhão que chega, Cledinéia tem uma crise de choro. Agarrada à filha Nicole, de dois anos, a dona de casa ainda tem esperança de encontrar os familiares com vida.
- Já estou ficando sem forças na porta deste IML. Eu e minha filha estamos com fome, mas rezo para que meus pais e sobrinhos não estejam nos caminhões que chegam aqui.
Os pais de Cledineia moravam com os dois sobrinhos, de 11 e 15 anos, numa casa simples no bairro Tinguilyn. Um deslizamento de terra no alto do morro, na madrugada de quarta-feira (12), trouxe abaixo todas as casas do lugar.
Ao contrário do irmão, Flávio aguarda apenas a relação dos nomes para confirmar a morte dos parentes.
- É difícil acreditar que eles estejam vivos diante de toda essa tragédia. Eu estive lá e vi que só por um milagre eles podem ter sobrevivido.
A tragédia das chuvas fez vítimas em praticamente todo o município de Nova Friburgo. No bairro Canto do Coelho a situação é considerada uma das mais complicadas do local. O mau cheiro já começa a se espelhar pelas ruas da cidade.
Até mesmo o Corpo de Bombeiros tem dificuldades para resgatar possíveis sobreviventes. O aposentado José Euclides, de 66 anos, torce para que encontrem a filha Rogéria, de 28 anos, viva. A mulher esta grávida de nove meses.
- Tenho vindo todos os dias no IML para pegar notícias, e quero encontrar minha filha viva.
Chuvas castigam região serrana
A chuva que começou na tarde de terça-feira já deixou mais de 400 mortos e milhares de desabrigados em Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis, na região serrana do Rio. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas e muitos bairros, completamente soterrados.
A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira (12) a medida provisória que libera R$ 780 milhões em créditos extraordinários para os municípios afetados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades.
Problemas antigos
A população das localidades de Benfica e Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, está acostumada a sofrer com a força das chuvas. Quem mora próximo ao rio Santo Antônio sente mais os efeitos das cheias. No entanto, os relatos dos sobreviventes dizem que nunca a água chegou ao nível que alcançou desta vez.
Nério da Costa Mesquita, de 83 anos, alugava uma casa em Benfica e perdeu tudo. Só lhe restou a roupa do corpo.
- Começamos a levantar as coisas, mas não imaginamos que a água ia subir tanto. Foi muita água. Agora tenho de esperar, sem água [para beber], sem mantimento, sem nada.
O proprietário da casa de Mesquita, Nilson Moreira de Macedo, que mora no mesmo terreno, também mantinha uma oficina na área. Ele perdeu o local onde morava e todos os objetos de trabalho.
- Não afetou só minha casa, mas o local de trabalho. Moro aqui há 35 anos. Nunca vi nada assim.
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O Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro) informou que precisa de cerca de 300 bolsas de sangue para enviar para a região serrana, principalmente Teresópolis e Nova Friburgo. Segundo a assessoria do instituto, as cidades atingidas pelas chuvas têm grande número de vítimas que necessitam de transfusão de sangue.
O Hemorio pede para que a população compareça ao hemocentro ou a dos 26 postos de coleta de sangue no Estado. Segundo o instituto, janeiro é um mês em que, tradicionalmente, o número de doadores cai. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e trazer um documento oficial de identidade com foto. Entre a triagem e a doação, todo o processo leva cerca de uma hora.
O Hemorio fica na rua Frei Caneca, 8, no centro. O horário de funcionamento é das 7h às 18h, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Para mais informações, o hemocentro oferece o 0800-282 0708 para tirar dúvidas e agendar horário para a doação.
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