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27 de Maio de 2016

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Favelas criam sites para
denunciar problemas da comunidade

Coisas boas também têm vez nos sites, que chegam a ter 25 mil acessos diários

Gabriela Pacheco, do R7 | 02/10/2010 às 05h29
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O filme 5x Favela - Agora por Nós Mesmos, escrito e dirigido por moradores de comunidades de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro, não é a única voz dos morros cariocas. Quem realmente conhece o dia-a-dia dessas áreas da cidade pode participar de portais de internet comunitários ou ser colaborador de sites que pagam por sua visão diferenciada dos principais veículos de comunicação.

 

Denúncias de ações contra direitos humanos, negligência de serviços públicos e memória das comunidades tornam bem sucedidas as iniciativas comunitárias. O portal Rocinha.org tem até 25 mil acessos por dia, segundo o seu fundador, Ocimar Santos, que trabalha diariamente de 10 a 12 horas para mantê-lo atualizado. O blog O Cidadão do Bairro Maré, junto com a versão impressa, recebeu em 2009 a homenagem Dom Helder Câmara, da comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado Rio de Janeiro.

 

De acordo com Gizele Martins, uma das editoras de O Cidadão, a necessidade de mostrar a versão dos moradores do Complexo da Maré, na zona norte, sobre a morte de um jovem foi o que motivou a criação do blog em abril de 2009.

 

O blog e o jornal não têm financiamento, somos todos voluntários, a maioria morador da Maré. Queremos divulgar a alegria e a dor do morador a partir da nossa fala, sem clichês. É uma forma de protesto, dizer para o mundo que também podemos nos comunicar. Na morte do jovem conseguimos mostrar que ele era um morador, um estudante, o que vimos acontecer. Defendo a comunicação comunitária como um direito humano.



A denúncia também faz parte do site Rocinha.org, no ar desde 2007. Ocimar lembra de casos como a retirada das casas do Laboriaux, parte mais alta da Rocinha, na zona sul. Várias reportagens foram feitas contra a remoção, expressando o lado de quem vive na região. 

O nosso trabalho também é denunciar, pois quando acontece algo ruim temos mais acesso. Os veículos de imprensa já nos procuram para saber informações. Com nossa média de acesso, estamos pleiteando o ingresso no Guinness Book como o primeiro portal oficial de uma favela no Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo. 

O apresentador do programa Muvuka na TV ROC, Fernandes Junior, entra no Rocinha.org pelo menos uma vez ao dia. Para ele, tão importante quanto se informar sobre o que está acontecendo na favela é ter um lugar de preservação do passado da comunidade.

– Como os jovens se interessam mais em buscar informação pela internet é importante o espaço no site da memória da Rocinha. Alem disso, o portal consegue colocar em evidência os problemas e muitos deles são atendidos, pois não é só a comunidade que acessa.

Os portais também estão sendo usados para aumentar a interação entre partes de uma mesma favela. O Portal Comunitário Cidade de Deus, criado em 2009, permite que 15 organizações do bairro divulguem suas atividades. Além disso, o site tem espaço para um classificado de compra e aluguel de casas e ofertas de empregos na região. A página na internet tem 750 acessos por semana, de acordo com o pesquisador Celso Alexandre Alvear, da Soltec, núcleo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ele foi o responsável pela criação do site, que surgiu a partir de sua tese de mestrado.

 

ONG ajuda na criação de site

 

As comunidades que não têm como criar seus sites, seja por dificuldade tecnológica ou financeira, podem procurar o Viva Favela, projeto da ONG (organização não-governamental) Viva Rio.  A página conta com  uma revista virtual,  que é feita com a participação de um editor convidado e com as produções de colaboradores de todo o país. Quem tiver seu material escolhido recebe R$ 170.  Segundo o editor do projeto, Bruno Zornitta, o site tem mil acessos diários.

Moradora da Vila do João, no Complexo da Maré, na zona norte da cidade, a estudante de jornalismo Viviane Oliveira contribui com o Viva-Favela há um ano. Ela também acompanha o portal da Cidade de Deus e o blog O Cidadão.

– É na comunidade que me inspiro para produzir minhas colaborações como correspondente. Nem tudo que aparece nas favelas aparece na mídia, que dá maior cobertura jornalística nas favelas pacificadas. Eu não preciso da polícia para escrever a notícia. 

 

Rocinha - vista m de 2005 - 20101002
Além do portal, a Rocinha usa outros veículos de comunicação, como a TV ROC, para dar voz à comunidade

 


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