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27 de Novembro de 2014

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Indústria de petróleo faz duplicar população de
cidades no norte fluminense, revela Censo 2010

Rio das Ostras, Macaé e Casimiro receberam 176 mil novos moradores em dez anos

Mariana Costa, do R7 | 05/05/2011 às 06h05
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O desenvolvimento do Brasil em direção ao interior, com crescimento recorde das cidades com até 500 mil habitantes, segundo o Censo 2010, se intensifica nos municípios do norte do Estado do Rio de Janeiro que fazem parte do pólo petrolífero e que têm assistido ao número de habitantes aumentar de forma acelerada nos últimos dez anos.

Entre os anos 2000 e 2010, Rio das Ostras, Macaé e Casimiro de Abreu, juntas, receberam 176 mil novos moradores, o equivalente à população do município de Angra dos Reis, no sul do Estado. A previsão de que a exploração do petróleo do pré-sal dobre o número de habitantes desses municípios torna ainda maior o desafio de conter os problemas causados por uma explosão demográfica em um período relativamente curto de tempo.

Cidade que mais cresceu em todo o país, Rio das Ostras aparece no topo do ranking nacional e do Estado com um aumento de quase 200% no número de moradores desde o ano 2000, seguida por Casimiro de Abreu (59%) e Macaé (56%), todas infladas pelo desenvolvimento da indústria do petróleo. 

Viver em Rio das Ostras é mais barato

Em Macaé, cuja população saltou de 132 mil habitantes em 2000 para 206 mil em 2010, esse processo ocorre de forma contínua há pelo menos 40 anos. Neste período, o número de moradores cresceu mais de 400% e a cidade se tornou um símbolo dos problemas gerados pelo crescimento desordenado, com favelização, falta de saneamento e problemas ambientais, índices crescentes de criminalidade e trânsito caótico.

Embora também enfrente problemas causados pelo aumento acelerado no número de moradores, Rio das Ostras tem se mostrado mais atraente para os profissionais que buscam qualidade de vida, com atrações turísticas e custo de vida bastante atrativo para quem quer se mudar definitivamente.

Foi o que levou o engenheiro e técnico em informática industrial, Paulo Mozer, de 38 anos, a optar por morar na cidade em vez de Macaé, onde trabalha. Casado e pai de uma menina de quatro anos, ele se mudou de Itaperuna, no noroeste fluminense, há cerca de três anos, após receber uma proposta de trabalho em uma das empresas que prestam serviços para a Petrobras. 

- Rio das Ostras é melhor para morar e muito mais barato. A cidade é agradável, gosto muito de lá. Vim para ganhar menos e gastar mais, mas sabia que ia melhorar no futuro e foi o que aconteceu: meu salário dobrou em um ano e hoje ganho três vezes mais do que ganhava em Itaperuna.

Jovens preferem Macaé

A população de Rio das Ostras cresceu de forma uniforme, enquanto em Macaé o aumento mais expressivo ocorre na população que tem entre 20 e 30 anos para depois cair entre os mais velhos, como explica o presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eduardo Pereira Nunes. 

- Em Rio das Ostras o número de habitantes aumentou em todas as faixas etárias, o que mostra um crescimento populacional bem mais consolidado.

Recém-formado em engenharia metalúrgica e de materiais pela Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Ricardo Moura, de 24 anos, saiu de Campos para Macaé em fevereiro do ano passado atraído por uma oportunidade de trabalho na Petrobras. Entre os colegas de turma, “80% está empregado na indústria petrolífera e a maioria em Macaé”.

- Acho que vou ficar aqui por muito tempo porque quero crescer profissionalmente. Mas não quero morar aqui pra sempre.

Segunda maior cidade arrecadadora de royalties do petróleo no país, Macaé tem pelo menos 80 mil habitantes vivendo em um cinturão de favelas e mais da metade de suas casas não têm coleta de esgoto.

Além disso, a cidade apresenta índices de criminalidade bem mais altos em relação à vizinha Rio das Ostras. Em fevereiro, o número de roubos e de ocorrências policiais na delegacia de Macaé, por exemplo, foi mais do que o dobro do observado em Rio das Ostras, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública). 

ibge

Os gráficos do IBGE com a idade dos moradores das duas cidades em 2000 (linha azul) e 2010 (linha vermelha) mostram que em Macaé o número de pessoas entre 20 e 30 anos é bem maior do que nas demais faixas etárias, enquanto em Rio das Ostras esse crescimento é mais proporcional entre diferentes faixas de idade

Prefeitos querem investimentos

Os engarrafamentos diários causados por uma enorme quantidade de trabalhadores que chegam a Macaé são a mostra mais clara do crescimento desordenado que o município ainda tenta superar, como admite o prefeito Riverton Mussi (PMDB).

- A cidade tem feito seu papel, mas é evidente que precisamos de mais investimentos, principalmente do governo estadual. Temos um problema sério na RJ-106 (rodovia Amaral Peixoto). Hoje, para percorrer uma distância de 30 km é preciso uma hora e 20 minutos.

Além dos problemas viários, Mussi aponta para a necessidade de investimentos também em saúde. Macaé tem dois hospitais públicos que costumam atender também à demanda de municípios vizinhos, inclusive de Rio das Ostras.

Segundo o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Baltazar (PMDB), o município investe R$ 90 milhões do seu orçamento em Saúde, enquanto a soma dos repasses dos governos estadual e federal não passa de R$ 6 milhões.

- O crescimento surpreende e é difícil vencer esse fenômeno mantendo a qualidade na saúde e em educação. Ainda assim, Rio das Ostras está muito melhor que qualquer outra cidade do Estado.

Apesar do desenvolvimento econômico da região e do número crescente de habitantes, nenhuma das duas cidades conta com hospitais estaduais ou federais para atender casos mais complexos e pacientes crônicos.


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