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27 de Maio de 2016

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Laje em morro carioca da zona sul vira point de turistas

No mesmo morro, ex-ponto de olheiro do tráfico também vira atração

Do R7, com Agência Sebrae | 26/08/2011 às 15h58
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O teto retrátil é uma das grandes atrações do Lajão Cultural, localizado no morro Dona Marta, zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Quando aberto, descortina uma paisagem deslumbrante para o Cristo Redentor e a lagoa Rodrigo de Freitas.

Com a pacificação do morro Dona Marta, em dezembro de 2008, o guia de turismo Thiago Firmino, morador do local, começou a ver a oportunidade para diversificar suas atividades profissionais. 

- Toda vez que fazia festa em casa, ficava uma fila de gente na porta. Dali, passei para a laje do meu irmão, mas apenas para a comunidade. Agora recebo pessoas de vários lugares.

Empresário nato, Thiago planejou primeiro a reforma do espaço com o irmão, Jorge Alexandre Firmino, dono da laje de 90 m². Juntaram as economias para colocar um piso de cerâmica e construíram um balcão e um banheiro. Para completar, além do teto retrátil, também investiram em equipamentos de som e luz. Para abrir o Lajão Cultural, ele calcula que investiram cerca de R$ 40 mil. 

Bem relacionado, o guia de turismo, produtor cultural, fotógrafo e agora promoter, tratou de espalhar a novidade entre seus amigos de diferentes tribos. O boca a boca funcionou e, desde outubro passado, Thiago organiza, além de almoços e churrascos, cerca de três festas por mês. Ele conta que já recebeu convidados ilustres, como a cantora Mart´nália e a atriz Camila Pitanga. 

- Fiquei muito nervoso e nem tive coragem de pedir para tirar fotos. Só queria que elas se sentissem bem. Mas fiquei orgulhoso demais. 

Para ampliar o sucesso da iniciativa, Thiago e o irmão planejam se registrar como Empreendedor Individual. Para fazer frente aos compromissos, eles já tiveram que recorrer a um amigo para emitir nota fiscal. Com a formalização do negócio, esperam diminuir os custos, como a compra de bebidas direto do fornecedor, e assumirem de vez o papel de empresário. 

- Quero divulgar a casa para as agências de viagens, para também trazer gringos para cá. Quero transformar isso aqui em mais um ponto de diversão de qualidade do Rio de Janeiro. 

Ex-ponto de olheiro do tráfico também vira atração

Do alto do morro, o Bar do Zequinha era um dos pontos dos olheiros do tráfico. A convivência forçada com a violência quase fez com que o proprietário José Bonfim Carlos, de 40 anos, desistisse de tudo e voltasse para o Ceará, sua terra natal. Com a instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), em dezembro de 2008, porém, ele recuperou a esperança.

A porção generosa de frango frito sequinho e crocante, a maior atração do lugar, começou a atrair mais e mais fregueses, e o negócio deslanchou: de 15 porções diárias para mais de 50. Com a primeira sobra financeira, ele deu de presente para a mulher uma máquina de lavar, “porque ela queria muito e merecia porque trabalha demais”. Depois, tratou de investir em melhorias.

Com R$ 3,5 mil, comprou um fogão industrial, um freezer novo, uma TV de plasma e, principalmente, ampliou o espaço, antes limitado a cerca de 2 metros quadrados, onde só cabia um balcão. Hoje, as três mesas vivem lotadas, inclusive de turistas.

- Uns dizem muy rico, e sei que quer dizer muito bom porque um guia me explicou. Quando não entendo nada, fico observando para saber se eles comem com gosto.

Outro ponto forte do negócio são as quentinhas encomendadas por moradores. A formalização é o próximo passo. Ele já entrou em contato com a Associação Comercial local para se registrar como Empreendedor Individual, com ajuda do Sebrae. Esse tipo de registro é mais indicado para quem ganha até R$ 36 mil por ano. Zequinha quer ser empresário de verdade e viver sem medo, agora da informalidade.

- Eu quero me sentir mais seguro e acho mais garantido se meu negócio estiver direito. Depois, vou poder negociar com os fornecedores que já estão vindo aqui. Parando de comprar em supermercado, vou gastar menos e ganhar mais.

O foco, por enquanto, está apenas no negócio para segurar a freguesia, como ele define. Mas Zequinha já faz planos para melhorar a casa onde mora com a mulher, Conceição e as duas filhas, de 8 e 9 anos, Daniela e Gabriela. Depois, o desejo de consumo é um carro.

- Nunca pude nem sonhar com um, mas agora é possível.


 
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