Bugio de estimação do Nem da Rocinha andava na garupa da motocicleta de traficante
Do R7, com Rede Record | 26/12/2012 às 10h37Ameaçado de extinção, um macaco bugio que vivia como animal de estimação de traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, ganhou um novo lar bem longe da violência e dos maus-tratos: ele é um dos 220 primatas tratados no Centro de Primatologia do Estado do Rio de Janeiro.
Localizado em Guapimirim, na Baixada Fluminense, o centro, ligado ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente), conta com 22 espécies distribuídas por 100 viveiros. Eles recebem tratamento médico, são alimentados e alguns são devolvidos à natureza, enquanto outros permanecem ali para estudos científicos.
O bugio, batizado de Tião em homenagem a um famoso chimpanzé que viveu no Zoológico do Rio, foi capturado oito dias antes da ocupação da Rocinha pelas forças de Segurança do Rio. Ele havia invadido uma casa nas proximidades da Floresta da Tijuca. Segundo moradores do morro, o macaco costumava ser transportado por um traficante na garupa de uma motocicleta.
Denúncias indicam também que o próprio ex-chefe do tráfico no local, Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, foi visto algumas vezes com Tião em suas andanças pela favela para comandar de perto a venda de drogas e os seus "soldados".
O bugio já é um macaco adulto e está adaptado ao convívio com outros primatas no centro, mas o veterinário Alcides Pissinatti, que trabalha no local, diz que ainda é cedo para dizer se ele voltará à natureza.
— Não é simplesmente pegar um animal como esse, que é de floresta, e soltar. Temos que ver se a área tem uma capacidade para suportar. Às vezes você coloca o animal e o lugar apresenta uma superpopulação ou então ele não é aceito pelos outros. Isso tudo tem que ser bem trabalhado e bem explorado.
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