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20 de Outubro de 2014

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Mãe de vítima de desabamento de prédios diz que corpo do filho foi trocado

"O corpo que foi enterrado não é o do laudo que originou a certidão de óbito", diz ela

Bruno Rousso, do R7 | 26/01/2013 às 02h00

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Vera Lúcia Fernandes Gitahy perdeu o filho, Bruno Gitahy Charles, de 25 anos, no desabamento de três prédios na rua Treze de Maio, no centro do Rio. Funcionário da T.O. (Tecnologia Organizacional), empresa apontada como responsável pela tragédia e que funcionava no edifício Liberdade, o engenheiro havia se formado um mês antes da tragédia. Vera e o marido, Antônio Gitahy, enterraram Bruno quase dois meses depois, mas, até hoje, não sabem se o corpo pelo qual rezam é mesmo do jovem. Outras 21 pessoas morreram - cinco delas nunca foram encontradas.

— O corpo que foi enterrado não é o do laudo que originou a certidão de óbito. Recebi dois laudos diferentes. O primeiro laudo dizia que o corpo estava sem as mãos, com os membros inferiores, com o intestino e sem a cabeça. Mas o corpo que enterrei estava totalmente esmagado, as características não batiam com as do laudo. Vou ao cemitério e não sei se estou rezando pelo meu filho.

Outra informação presente no laudo era a de que se tratava de um “corpo de cor negra”. Segundo Vera, porém, bruno era branco.

— Ele era até louro quando pequeno. Era branco. Como eles colocam que o corpo é negro? Para mim, esse corpo que gerou o laudo era do Messias, um catador de papelão que vivia debaixo da marquise do edifício Liberdade e também morreu.

Vera, Antônio e outros familiares de vítimas do desabamento fizeram uma manifestação na tarde desta sexta-feira (25) no local da tragédia. Os parentes levaram rosas em homenagem aos mortos.

Procurada pelo R7, a Polícia Civil, responsável pelo IML, disse que, de acordo com informações do diretor do Departamento Geral de Polícia Técnico Científica, Sérgio Henriques, dois laudos foram entregues à família de Bruno - um em janeiro de 2012 e outro em fevereiro do mesmo ano. O primeiro apresentou o resultado da necropsia e o segundo ratificou a necropsia e apresentou a identificação da vítima por exame de DNA.

A polícia explicou ainda que o exame de DNA foi executado por ser o único meio de identificação da vítima. Exames de impressão digital ou de arcada dentária seriam inviáveis, pois o corpo só possuía tronco, membros inferiores e parte do braço esquerdo. A cor de Bruno Gitahy foi declarada como ignorada, informou a polícia. A cor enegrecida citada no laudo se deve ao estado de putrefação da vítima, completou a instituição.


 
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