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22 de Julho de 2014

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Mapeamento inédito revela como as facções
criminosas se distribuem nos presídios fluminenses

Cadeias são ocupadas por presos de cinco organizações

Marcelo Bastos e Mario Hugo Monken, do R7 | 18/10/2010 às 11h30
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Assim como acontece com as favelas, os presídios do Rio de Janeiro também são divididos entre facções criminosas. Um mapeamento inédito obtido pelo R7 revela como está atualmente a distribuição por grupo dos presos nas cadeias fluminenses. Cinco organizações ocupam as penitenciárias. Além das três facções que atuam no tráfico de drogas, há ainda um bando integrado por presos que não são aceitos nestas organizações e é especializado em extorsões pelo telefone, além das milícias.

Atualmente, o Rio tem uma população carcerária de 24.820 detentos. As unidades comportam 24.278, o que gera um déficit de quase 600 vagas. Não estão incluídos na contagem as carceragens da Polícia Civil e o BEP (Batalhão Especial Prisional), que abriga PMs.

O levantamento a que o R7 teve acesso indica que os detentos da facção criminosa cuja base é o complexo do Alemão, na zona norte, ocupam sozinhos 11 unidades e correspondem a 47% da população carcerária do Estado.

O grupo é o único nas penitenciárias de segurança máxima Bangu 3 e Bangu 3 A, nos presídios Moniz Sodré, Vicente Piragibe, Bangu 5, Bangu 6 e na casa de custódia Jorge Santana, todos no complexo prisional de Gericinó, na zona oeste, além do Instituto Penal Edgard Costa, em Niterói, e das cadeias públicas Romeiro Neto, em Magé, Cotrim Neto e Milton Dias Moreira, em Japeri, na Baixada Fluminense. Ao todo, são 8.888 detentos.

Os presos vinculados à facção criminosa que atua na favela da Rocinha, na zona sul da capital, estão distribuídos entre os presídios de segurança máxima Bangu 4, João Carlos da Silva, em Japeri, e o Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói. São 1.814 presos.

Criminosos associados à organização controlada pelo traficante Matemático, cuja base é o complexo de favelas de Senador Camará, na zona oeste, estão nos presídios Esmeraldino Bandeira e Pedro Melo da Silva, no complexo de Gericinó, na cadeia pública Franz de Castro Holzwarth, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e no Instituto Penal Cândido Mendes, no centro do Rio.  São 2.544 detentos.

Segundo o relatório, os presos especializados em extorsões pelo telefone ocupam sem concorrência o presídio Evaristo de Moraes, mais conhecido como o Galpão da Quinta, em São Cristóvão, na zona norte; a penitenciária de segurança máxima Bangu 2 e o Instituto Penal Benjamin Moraes Filho, no complexo de Gericinó. Essas casas de detenção abrigam ainda condenados por estupros, que não são aceitos nas facções ligadas ao tráfico de drogas. Eles já somam 3.366 criminosos.

Cadeias mistas

O documento obtido pelo R7 revela ainda que há unidades mistas que abrigam presos de mais de uma facção criminosa. Só que eles ficam separados uns dos outros. É o caso da penitenciária Bangu 1, que tem 48 detentos de vários grupos. Todos ficam em celas individuais e não se misturam.

O presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte, é ocupado por 1.123 presos da facção do complexo do Alemão, do grupo liderado pelo traficante Matemático, da quadrilha especializada em extorsões e também por ex-policiais que foram expulsos.

O Instituto Penal Plácido Sá Carvalho, em Gericinó, abriga duas facções (o grupo de Matemático e a quadrilha das extorsões), além de presos de nível superior. Conta com 1.215 detentos. A Penitenciária Lemos de Brito, na zona oeste, também abriga duas (sendo uma delas a milícia). Possui 570 presos.

Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, há duas cadeias (Daltro Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca), onde há detentos rivais das favelas Tira-Gosto (vinculados ao grupo de Matemático) e Baleeira (ligados à Rocinha). Juntas, as duas cadeias somam 1.508 criminosos.

Líderes

Nos últimos anos, os grandes chefes das organizações criminosas do Rio de Janeiro que estavam presos foram transferidos para penitenciárias federais de outros Estados. No entanto, alguns expoentes ficaram no Estado e exercem liderança sobre os demais detentos.
 
No caso da facção criminosa do complexo do Alemão, na zona norte, o principal líder da cadeia é o criminoso conhecido como Baby, que está preso em Bangu 3. Todos os problemas que ocorrem entre detentos da facção são resolvidos por ele, segundo relatos de policiais. Baby, por exemplo, tem o poder de mandar recados a mulheres de presos que não visitam os maridos na cadeia, obrigando-as a ir à prisão.
 
Os outros grupos, segundo o relato de um agente penitenciário, não possuem um líder na cadeia. Cada um responde pelos seus atos. Do grupo vinculado à Rocinha, os principais representantes são Celsinho da Vila Vintém e um criminoso conhecido como Abelha.

Há bandidos que ingressam na prisão jurados de morte pela facção a que pertenciam. Nesta situação está o traficante conhecido como Tuchinha da Mangueira, que, por conta disso, está em um local no presídio Bangu 2 considerado seguro, que abriga detentos ameaçados de morte.


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