Deputado estadual do Rio de Janeiro participou do bate papo do R7
Gabriela Pacheco e Tainá Lara, do R7 | 28/11/2010 às 22h21Marcelo Freixo é deputado estadual, professor de História e milita há 23 pelos direitos humanos. Na noite deste domingo (28), ele participou do bate papo do R7 falando sobre as ações da polícia no combate ao crime nesta semana.
Em uma hora de conversa, Freixo expõe suas idéias e opiniões sobre causas e conseqüências dos ataques no Rio.
- O crime organizado só existe onde tem grana e poder, não é o caso da favela. Temos que buscar aqueles que lucram com o tráfico de armas. Esse é o maior desafio do Rio. O dedo que aperta o gatilho do fuzil não é o mesmo que conta o lucro do tráfico de armas.
Para a paz no futuro, Freixo frisa a importância de políticas públicas que evitem a repetição da história de descaso com os menos favorecidos.
- Uma ação da polícia tem tempo de duração. O Estado deve garantir com outros braços, educação e saúde.
Confronto armado
O Rio enfrenta uma luta que é mundial. O tráfico de drogas existe em todo lugar, não é fácil enfrentá-lo. Entretanto, o que difere a capital fluminense é a presença de armamento pesado.
- O que temos no Rio é uma criminalidade muito armada e isso nos diferencia de outras cidades. Não existe ideologia na cabeça dos que estão com armas na mão. É a barbárie pela barbárie.
O conflito armado gera insegurança na população. Entretanto, conforme os fatos desenrolados nesta semana, ele parece ser um passo importante para desmantelar a organização de uma das principais facções do país.
- Sem dúvida a facção está muito debilitada. Porém eles não representam o crime organizado do Rio. Essas facções são mais grifes do medo do que organizações criminosas.
Legaliza já
Internautas questionaram Freixo se a legalização das drogas, principalmente da maconha, não seria uma solução para os conflitos ocasionados pelo tráfico.
- Solução não. Mas é um tema que temos que tratar com carinho. Não vejo sentido em tantas mortes por arma de fogo e tantos conflitos em função do uso dessa droga. Sem dúvida que seria melhor um trabalho junto com a saúde pública do que com a polícia.
Guerra no Rio
Quais os fatores que teriam provocado a reação da polícia na última semana? Na opinião do deputado, as notícias indicam que pode ter sido uma reação as instalações das UPPs (Unidades da Polícia Pacificadora).
- Com os ataques a ônibus e carros, o governo reagiu. Acho que as UPPs representam um projeto de cidade e não de segurança pública. O mapa das UPPs é revelador, o corredor: da zona hoteleira, a região portuária, o entorno do Maracanã e a Cidade de Deus, únicas área em Jacarepaguá que não está na mão de grupos de paramilitares.
Porém, sobre as milícias, Freixo comenta que elas estão atrás de dinheiro. E se organizam de forma diferente do tráfico.
- As milícias são formadas por agentes públicos da área de segurança. Com projeto de poder se elegeram vereadores e deputados. Com os lucros que conseguem com as vans, gás e televisão a cabo, eles não precisam fazer o varejo da droga. Somente as milícias menores dão sinais de tráfico de drogas. Com o tempo pode ser que o varejo de entorpecentes venha a ser uma realidade, pois eles estão sempre buscando lucros.
Confira a galeria de fotos da operação no Complexo do Alemão
Preencha os campos abaixo para informar o R7 sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato usando o Fale Com o R7