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27 de Maio de 2012

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Mesmo com reajuste, comandante dos bombeiros
diz que vai tentar aumento para categoria

Sérgio Simões assume a Secretaria de Defesa Civil é melhor para negociar

Tainá Lara, do R7 | 09/06/2011 às 17h49 | Atualizado em: 09/06/2011 às 18h46
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Mesmo após o anúncio de antecipação do reajuste do Corpo de Bombeiros, além de policiais militares, civis e agentes penitenciários, o coronel Sérgio Simões comandante da corporação e secretário de Defesa Civil, pasta criada pelo governo do Estado nesta quinta-feira (9), afirmou que continuará tentando aumentar o salário da categoria que comanda. A nova secretaria foi criada com o dinheiro vindo da taxa de incêndio, de acordo com Simões.

Veja imagens da mobilização dos bombeiros nesta quinta

Nesta quinta, o governo anunciou que o reajuste de 5,58% que seria concedido em dezembro foi antecipado para julho.

- Considero uma possibilidade de aumento. Eu tenho que continuar conversando sobre isso. Eu ofereço a credibilidade de quem já conhece a ‘casa’. Tenho o compromisso de continuar usando o poder de interlocução para conseguir melhoras para a corporação. - Quero que a corporação confie no comando, quanto maior a credibilidade, maior o poder de negociação.

Simões, no entanto, afirmou não poder garantir sucesso nas negociações. Ele disse desconhecer ainda o limite orçamentário do governo para pleitear um aumento, já que ainda não se reuniu com a Secretaria de Planejamento. O comandante disse que deve se reunir com o governador Sérgio Cabral (PMDB).

O novo secretário disse que, como o Orçamento do governo é definido no ano anterior, a nova secretaria usará o dinheiro da taxa de incêndio para operar.

- Não há nenhuma interferência em relação à questão orçamentária. Eu vou utilizar recursos do próprio Corpo de Bombeiros, que são oriundos do Funesbom [Fundo Especial do Corpo de Bombeiros], da taxa de incêndio.

Para ele, a nova pasta facilitará o trabalho tanto dos bombeiros quanto dos agentes da Defesa Civil.

- Corpo de Bombeiros já viveu esse modelo por 20 anos. Dessa maneira fortalecemos a estrutura da Defesa Civil e por consequência os bombeiros.

Sobre a substituição de 22 comandantes, Simões disse que as escolhas foram feitas baseadas em dois fatores.

- O primeiro é o tempo de serviço do comandante na unidade, e o segundo é a afinidade na hora de comandar.

Entenda o caso

Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.

A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Acompanhe a cobertura completa da crise

Mural: dê a sua opinião sobre o caso

Veja o momento que o Bope invade o quartel

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.

Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.

Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reunião de cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.

Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007. Segundo ele, com todas as bonificações e reajustes previstos, até o fim do ano, os bombeiros terão um salário muito próximo ao que é reivindicado.

Os bombeiros presos foram autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão.

Apesar das baixas, o comando-geral do Corpo de Bombeiros informou que a rotina de atendimento à população está mantida e que os substitutos dos bombeiros presos assumiram seus postos.

Assista ao vídeo:

 
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