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21 de Outubro de 2014

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Milícia de Campo Grande comprou
fuzis do Complexo do Alemão

Segundo um agente da Draco, valor de cada arma seria de R$ 40 mil

Marcelo Bastos e Mario Hugo Monken, do R7 | 16/02/2011 às 10h35
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A venda de drogas não é a única forma de aproximação dos milicianos de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, com os traficantes. Segundo policiais da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), homens ligados à principal liderança dos grupos paramilitares na região teriam comprado fuzis com criminosos do Complexo do Alemão, na zona norte carioca, como revela o chefe de inteligência, Jorge Gerhard.
 
- Já recebemos informações nesse sentido, sim. Não sabemos a quantidade exata, mas o valor pago por cada fuzil foi R$ 40 mil, parcelado, o que mostra que eles se relacionam. Sabemos também que eles recrutam ex-traficantes para trabalharem como seguranças nas favelas controladas por eles.
 
Os negócios entre milícia e tráfico foram provados durante uma operação da Draco em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em dezembro de 2010, quando ligações telefônicas entre o grupo liderado por vereadores da cidade e traficantes do Alemão revelaram a negociação de armas.
 
Há alguns anos, no entanto, os milicianos do maior grupo da zona norte do Rio invadiram o morro do Dezoito, em Quitino, que era dominado pela mesma facção criminosa que dominava o Alemão. Em seguida, os paramilitares venderam a favela para o maior rival daquele grupo, em uma negociação estimada pela Draco em R$ 500 mil.
 
Gerhard disse acreditar que, em um futuro breve, a união entre os dois lados será intensificada e que os milicianos passarão a vender drogas com mais frequência. Assim, a única diferença entre milícia e tráfico será a presença de alguns agentes do Estado no controle dos negócios, como, políticos, policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários. 

Recentemente, surgiram rumores de que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar teria estabelecido uma aliança com milicianos presos na penitenciária federal de Campo Grande (MS). A suspeita surgiu após a apreensão de uma carta em que supostos membros de sua quadrilha acenam para o sequestro de autoridades e religiosos que só seriam libertados se a cúpula da milícia fosse solta.
 
Lucro e serviços explorados
 

Para a polícia do Rio, é difícil estimar os lucros obtidos pelos paramilitares. A única certeza é de que a cifra é milionária. Eles controlam serviços como centrais clandestinas de TV por assinatura, de internet banda larga ilegal, venda de botijões de gás, sobre a venda de imóveis, grilagem de terra e até sobre velórios, por meio de acordos com funerárias, além das taxas de segurança cobrada de comerciantes e moradores e controle sobre o transporte alternativo.
 
As mensalidades com gatos de TV a cabo e internet custam entre R$ 20 e R$ 30. Sobre os botijões de gás oriundos de depósitos clandestinos, os milicianos faturam de R$ 5 a R$ 7 por cada unidade vendida. Em áreas públicas invadidas, eles constroem imóveis e vendem como se fosse uma transação legal. Motoristas de Kombis e vans pagam mensalidades que variam de acordo com o faturamento.
 
Desarticulação

Apesar de as operações policiais tentarem desarticular as milícias, os paramilitares se rearticulam em pouco tempo e as atividades ilegais e lucrativas não são afetadas. O combate muda apenas o modo de atuação das milícias, que passam a agir de maneira mais discreta. 

Na última sexta-feira (11), a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Guilhotina que resultou na prisão de 38 pessoas, entre elas 20 PMs e dez policiais civis. Alguns destes policiais eram ligados à milícia que atua nas comunidades da Roquete Pinto, Borgauto e praia de Ramos, na zona norte.
 


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