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27 de Maio de 2012

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Milícia obrigava moradores a registrar falsos
crimes contra desafetos para intimidar vítimas

Três policiais que comandavam o esquema estão entre os 14 presos na operação Tríade

Mariana Costa, do R7 | 27/07/2011 às 12h19 | Atualizado em: 27/07/2011 às 13h30
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A estratégia criada pela quadrilha de milicianos desarticulada na operação Tríade, na manhã desta quarta-feira (27), para coagir desafetos e atrapalhar as investigações surpreendeu a polícia pela ousadia dos criminosos. Para intimidar e desmoralizar as vítimas, eles obrigavam moradores a registrar falsos crimes contra possíveis delatores e testemunhas na Delegacia de Campinho (28ª DP), na zona oeste do Rio de Janeiro.

O grupo agia na região da Taquara, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital fluminense, havia pelo menos três anos. Segundo a polícia, eles lucravam R$ 200 mil por mês com a exploração de serviços como taxa de segurança cobrada de comerciantes e moradores, serviço de transporte alternativo, venda de gás, TV a cabo e internet, e grilagem de imóveis invadidos e loteados pelos milicianos.

Além de obrigar a fazer falsos registros de ocorrências contra possíveis delatores ou testemunhas, os moradores também eram coagidos a elogiarem os milicianos. A ousadia do grupo era tanta que uma das falsas denúncias foi feita ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, como explica o promotor Décio Gomes.

- Eles foram à sede do Gaeco tentar incriminar uma das vítimas. Como as investigações contra eles já estavam em curso, nós descobrimos que se tratava de uma estratégia.

Até as 13h30, 14 pessoas já haviam sido presas na operação, incluindo os três policiais apontados como líderes do bando, e todos os 35 mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos. Duas pessoas ainda estavam foragidas, entre as quais um sargento da Aeronáutica apontado como parte do segundo escalão da milícia. Também foram apreendidas seis armas e munição de diferentes calibres.

Um homem que usava um falso uniforme do Bope (Batalhão de Operações Especiais) chegou a ser detido para averiguação, mas foi liberado em seguida.

A cúpula do bando era formada por três policiais: um delegado de Polícia Federal aposentado, um comissário da Polícia Civil e um soldado da Polícia Militar. No segundo escalão foram identificados um guarda municipal, dois militares da Aeronáutica e dois advogados, estes responsáveis por “esquentar” os documentos de posse de terrenos invadidos.

A operação foi desencadeada após seis meses de investigações coordenadas pela Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), Gaeco e a Subsecretaria de Segurança Pública, e teve a participação de 120 policiais.


 
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