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27 de Maio de 2016

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Obras de rodovia revelam tesouros
arqueológicos na Baixada Fluminense

Foram encontradas mais de 50 mil peças em 58 sítios arqueológicos

Isabele Rangel, do R7 | 24/04/2012 às 06h00

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A descoberta de 58 sítios arqueológicos na Baixada Fluminense deve revelar um pouco da história da ocupação da região e de povos que ali viveram. Cachimbos, urnas funerárias, louças e cerâmicas, entre outras peças, foram achados nas obras do Arco Metropolitano, rodovia que vai ligar Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a Itaguaí, na baixada, com o objetivo de desafogar o trânsito da avenida Brasil.

Os artefatos são fruto do trabalho de arqueólogos do IAB (Instituto de Arqueologia Brasileira) em cinco municípios onde a via está sendo construída: Japeri, Seropédica, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Itaguaí.

Para a coordenadora do Programa de Arqueologia do Arco Metropolitano, Jandira Neto, os artefatos ajudam a revelar a identidade dos povos que ocuparam a baixada, como sambaquis (depósitos no solo de materiais orgânicos, como conchas) há 6.000 anos e índios tupi-guaranis (etnia encontrada por portugueses na orla brasileira). As descobertas permitem conhecer melhor até mesmo áreas que foram reocupadas por europeus e descendentes.

Até agora, foram encontrados 58 sítios arqueológicos. Parte deles foi localizada por pesquisadores do IAB, mas alguns foram descobertos por moradores da região e por operários das obras do Arco. Na busca por peças do passado, o instituto faz um trabalho de educação patrimonial, em que ensina o reconhecimento de sinais da existência de um sítio arqueológico.

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Fotos: veja as peças encontradas nas obras do Arco Metropolitano

Foi dessa forma, por exemplo, que os pesquisadores encontraram uma ferraria do século XIX, em Seropédica. De acordo com Jandira Neto, que também é coordenadora dos projetos de arqueologia e educação patrimonial do IAB, era ali que os tropeiros paravam para cuidar das ferraduras de seus cavalos e de seus instrumentos.

- Um operário que havia passado pelo processo de educação patrimonial desconfiou que o local onde trabalhava poderia ser um sítio arqueológico e me chamou. Ele era uma pessoa muito simples, mas soube identificar. Então, começamos as escavações e encontramos uma bigorna enterrada há 5 m de profundidade, o que nos permitiu entender que ali havia sido uma ferraria no caminho dos tropeiros.

Já em Duque de Caxias, foram encontrados vestígios dos sambaquis, como conchas e artefatos líticos (utensílios de pedra). Em Japeri, as descobertas mostram que a região foi ocupada por índios tupi-guarani e, mais tarde, reocupada. Lá havia urnas funerárias dos índios, mas também ferro, louça, cerâmica, vidro e garrafas de pó de pedra, que mostra outro tipo de população.

Em Seropédica, no sítio arqueológico do Pau Cheiroso, as descobertas mostram que uma mulher morava no local. Foram os objetos encontrados que levaram essa conclusão. Havia dedais, broches, medalhas e bibelôs, o que indica que a dona da casa tinha gosto refinado.

Apesar de ficar longe do mar aberto, pesquisadores encontraram peças que indicam que a Baixada Fluminense também teve portos nos rios da região. Os hoje poluídos Sarapuí e Iguaçu já foram usados para navegação de embarcações, como mostram as estruturas encontradas no local.

Até o momento, mais de 50 mil peças inteiras e fragmentos já foram encontrados. Todo o material localizado no campo de pesquisa vai para um laboratório, onde passa por lavagem, é classificado e interpretado. Os artefatos do Arco Metropolitano estão em um prédio do IAB. Segundo Jandira Neto, a instituição é a única entidade particular do Rio autorizada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a fazer a guarda das peças, pois elas são patrimônio nacional.

A identificação e a preservação do patrimônio fazem parte do processo de licenciamento ambiental das obras do Arco Metropolitano e são pagas pela empresa responsável pela construção. É uma espécie de contrapartida pelo impacto das obras.

O trabalho do Instituto de Arqueologia Brasileira começou em 2009. O projeto do Arco Metropolitano já estava em andamento, mas as primeiras pesquisas feitas no trajeto da rodovia encontraram apenas 12 sítios arqueológicos. No período em que foi concedida a licença de operação, todo o trabalho foi refeito e mais dez sítios foram encontrados. Com o trabalho de educação patrimonial, moradores da região e operários das obras contribuíram para que o número total de sítios chegasse a 58.

Como o trabalho de monitoramento no trajeto do Arco Metropolitano e nas proximidades continua, os pesquisadores ainda podem fazer novas descobertas.


 
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