Segundo moradores, informação sobre operação circulou na favela na noite de segunda-feira
Marcelo Bastos, do R7 | 19/04/2011 às 15h14 | Atualizado em: 19/04/2011 às 16h36Apesar de a Polícia Civil ter considerado positivo o resultado da operação na favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, na manhã desta terça-feira (19), a ação poderia ter sido mais bem-sucedida, caso a informação sobre a operação não tivesse vazado.
Oficialmente, a delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil, diz não ter recebido informações sobre o vazamento da operação. No entanto, moradores diziam saber que a polícia entraria na favela já na noite da última segunda-feira (18).
O subchefe operacional da instituição, o delegado Fernando Veloso, disse que as pessoas que disseram isso aos jornalistas precisam procurar a polícia para denunciar o caso.
- A nós, essa informação não chegou. Até podemos tentar ver se há algum indício de vazamento, mas as pessoas que disseram isso à imprensa, precisam falar com a polícia.
Indícios desse vazamento puderam ser percebidos nas prisões e nas apreensões. O chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, não foi encontrado. Parentes dele, que tiveram prisão decretada pela Justiça por lavar dinheiro do tráfico não foram localizados. Apesar da grande quantidade de drogas apreendidas, nenhuma arma foi encontrada.
Alguns agentes envolvidos na operação, que preferiram não se identificar, também confirmaram o vazamento. Moradores da Rocinha disseram ainda que, por volta das 5h30, 30 minutos antes da chegada da polícia, traficantes já soltavam fogos para avisar sobre a presença dos policiais.
Até o fim da manhã desta terça-feira, 11 pessoas haviam sido presas durante a operação, a grande maioria em flagrante. Entre os 30 que tinham mandado de prisão expedido pela Justiça, um era taxista e prestava serviços para traficantes, transportando criminosos e armas entre comunidades dominadas pela facção que controla a Rocinha.
Outro preso na operação é apontado como braço direito do traficante conhecido como Leão, que, por sua vez, é braço direito do traficante Nem. De acordo com policiais civis, Nem e seus parentes não saíram da favela, onde ainda estariam escondidos.
Foram apreendidos 42 veículos. A polícia também estourou duas centrais clandestinas de TV por assinatura e um local que servia de depósito de eletrodomésticos roubados. Cerca de três toneladas de maconha, avaliadas em até R$ 3 milhões, também foram encontradas na favela.
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