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2 de Setembro de 2014

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Pai de professora morta no ônibus 174, no ano 2000 revive dor ao ver na TV sequestro no Rio

Geísa Firmo Gonçalves dá nome à escola em Fortaleza

Carolina Farias, do R7 | 11/08/2011 às 06h00
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As imagens do sequestro do ônibus que fazia a linha Praça 15-Duque de Caxias, ocorrido na noite da última terça-feira (9), no centro do Rio de Janeiro, fez o gráfico Gilson Gonçalves reviver a maior dor de sua vida. Há 11 anos sua filha, a professora Geísa Firmo Gonçalves, de 20 anos, foi morta após passageiros do ônibus 174 ficarem cinco horas sob a mira do revólver de Sandro Nascimento. O criminoso usou a professora como escudo para se render e, na confusão entre o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e o bandido, Geísa levou a pior: cinco tiros.

O pai da professora, que mora em Fortaleza (CE), diz estar habituado a ser procurado para falar do que ocorreu com sua filha. No último aniversário da tragédia, dia 12 de junho, não foi diferente. O telefone tocou e ele deu entrevistas. Mas, na noite da terça, o que viu na TV – imagens da Polícia Militar negociando para criminosos deixarem o ônibus – fez Gonçalves se lembrar da dor que sentiu.

- Foi muito doloroso. É o mesmo caso que aconteceu com minha filha.

Gonçalves disse que no dia em que ocorreu o sequestro do ônibus 174 ele viu na televisão – o caso foi transmitido ao vivo em cadeia nacional por diversas redes de TV – muito rapidamente. Somente no dia seguinte soube que a mulher morta era sua única filha.

- Uma sobrinha chegou a me telefonar, mas na época não tinha celular, não estava em casa para atender as ligações. A reconheci só no jornal no dia seguinte. Achei que fosse ficar louco [com a notícia].

Geísa saiu de Fortaleza para ir atrás de um namorado, segundo o pai. Ao chegar no Rio, ela descobriu que o rapaz já estava com outra. Mesmo após a decepção amorosa ela resolveu ficar e dava aulas de artesanato no Rio.

A professora agora dá nome a uma escola municipal em Fortaleza, com aulas da 2ª à 5ª série durante o dia e para jovens e adultos à noite. O ato, feito logo após a tragédia, deu orgulho ao pai da professora.

Para a diretora da escola Delania Benevides Barbosa Gomes, a homenagem à Geísa “não é só porque era a pessoa que morreu [no sequestro], mas porque ela tinha uma história”.

- Ela tem uma história, ela era cearense.

Na escola, disse Delania, há uma foto da professora logo na recepção e sempre há programação onde os alunos assistem ao documentário Ônibus 174, de José Padilha, de 2002, e ao filme Última Parada 174, de Bruno Barreto, lançado em 2008.

- Os alunos sabem quem ela é. Temos cópias de matérias e o projeto ‘Todos contra a Violência’.

Ônibus 174

Há 11 anos, Sandro Nascimento entrou no ônibus para cometer um assalto, mas, de repente, se viu cercado por policiais, repórteres e curiosos. Atiradores de elite se posicionaram, mas nenhum tiro foi disparado.

Após longa negociação, os homens foram liberados e Sandro passou a manter apenas mulheres no veículo. A estudante Luana Guimarães foi quem ficou mais tempo com o criminoso e escrevia as ameaças ditadas por ele nos vidros com um batom.

Ele agiu sozinho e, na época, especialistas classificaram o caso como um dos exemplos mais emblemáticos de intervenção policial desastrosa. As câmeras de TV transmitiram ao vivo as cinco horas de tensão vividas pelos reféns e, na sequência, o assassinato de Geísa.

Sequestro no centro

O sequestro com reféns de terça-feira terminou por volta das 21h30. Mais de 20 pessoas foram vítimas. Três suspeitos mantiveram os passageiros do ônibus reféns por aproximadamente uma hora. Agentes do Batalhão de Choque e do Bope foram acionados, negociaram e acompanharam a liberação das vítimas. Duas pistolas e uma granada foram apreendidas com os presos.

Ao fim, seis pessoas foram baleadas nas trocas de tiros entre a PM e os criminosos. A Polícia Civil, com a ajuda de laudos, vai investigar se os tiros que atingiram as vítimas partiram de armas de policiais ou dos bandidos.

 
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