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27 de Maio de 2016

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Greve de policiais e bombeiros no Rio
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Para evitarem punição, PMs do Complexo do
Alemão fazem operação padrão em delegacia

Policiais apreenderam veículos e levarão horas para fazer verificação de fichas

Carolina Farias, do R7 | 11/02/2012 às 13h40
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Policiais do batalhão de campanha do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, encontraram uma maneira de aderir à paralisação da categoria sem serem punidos. Desde a noite de quinta-feira (9), policiais militares, civis e bombeiros estão em greve por melhores salários e condições de trabalho. Ao menos 16 PMs e 123 bombeiros estão presos porque a categoria não pode fazer paralisação.

Para evitarem a punição, os policiais do batalhão realizavam no início da tarde deste sábado (11) uma operação padrão, que consiste em fazer de maneira mais lenta ou burocrática um tipo de trabalho para atrasar o processo de outros serviços. No caso do Alemão, os policiais militares, que são responsáveis pelo policiamento do entorno das comunidades – já que internamente quem faz o policiamento é o Exército – os PMs pararam dez motos e seis vans irregulares e levaram para a delegacia, a 22ª DP (Penha).

Como a delegacia também está operando em operação padrão, com poucos policiais atendendo ocorrências, os PMs disseram que terão de ficar parados na delegacia durante horas, tempo suficiente para fazer o levantamento sobre a situação de todos os veículos apreendidos e os motoristas verificados.

- Com isso pelo menos 15 viaturas deixam de fazer o patrulhamento. É a forma que encontramos de participar [do movimento].

Segundo um policial, durante a madrugada os PMs do batalhão não saíram para fazer patrulhamento e só deixariam o local para atender ocorrências graves, o que não ocorreu na madrugada deste sábado (11).

O batalhão de campanha fica uma antiga fábrica de refrigerante que atualmente também abriga a sede da Força de Pacificação e uma base da 22ª DP.

A reportagem do R7 procurou a assessoria da PM para repercutir as informações dos policiais, mas, até a conclusão deste texto, ninguém enviou resposta.

Movimento

Até a noite de sexta-feira (10), o coronel Robson Rodrigues, chefe do Estado Maior Administrativo da corporação, afastou a possibilidade de pedir ajuda ao Exército ou à Força Nacional de Segurança por causa da baixa adesão à greve dos policiais no Rio.

Comando do Corpo de Bombeiros prenderá 123 guarda-vidas

PMs denunciam que alunos vão reforçar policiamento

De acordo com Rodrigues, foi elaborado um plano de contingência para que o Carnaval transcorra sem problemas. Nem mesmo no pior cenário, o coronel enxerga a necessidade de pedir reforço.

- Elaboramos uma série de possibilidades, mas não vemos a necessidade de pedir auxílio. Pelo que se desenha, está longe de termos essa necessidade. Tínhamos reservas e elas estão se mostrando suficientes.

Em reunião com representantes do Ministério da Justiça e do Comando Militar do Leste, ficou acordado que cerca de 14 mil homens do Exército e 300 da Força de Segurança estão à disposição da PM e do Corpo de Bombeiros, caso seja necessário.

- Isso já foi acordado. Em um cenário péssimo, talvez pudéssemos recorrer à Força de Segurança e, em um pior ainda, ao Exército. Mas, repito: estamos muito longe disso.

Para administrar o período de greve, foi instalado um gabinete de gerenciamento de crise na sede do Estado Maior, onde está sendo elaborado todo o planejamento para reduzir o impacto da greve na população do Rio.

No primeiro dia de paralisação (sexta), a cidade viveu clima de aparente tranquilidade, com incidente isolados, como uma troca de tiros entre policiais e bandidos na Vila Vintém, em Padre Miguel, na zona oeste. A rua Bernardo de Vasconcelos foi interditada e o transito desviado.

De acordo com a PM, a adesão maior à greve foi verificada em cidades do interior, como Volta Redonda e Campos dos Goytacazes. Policiais dos Batalhões de Choque e do Bope foram enviados para essas cidades.

Prisões

Desde que a greve começou, a Polícia Militar prendeu 145 PMs que aderiram ao movimento. Do total, porém, 129 – todos do Batalhão de Volta Redonda (28º BPM) - foram soltos na tarde de sexta-feira, segundo o coronel Robson Rodrigues.

O coronel explicou que, dos 16 que permaneciam detidos na noite de sexta, nove foram presos após expedição de mandado da Justiça Militar. Outros sete foram detidos em flagrante por desobediência.

O Corpo de Bombeiros do Rio informou que 123 guarda-vidas serão presos administrativamente em razão da greve. Todos foram indiciados na tarde desta sexta-feira. O comandante do 2º GMar (Grupamento Marítimo da Barra da Tijuca), tenente coronel Ronaldo Barros, foi exonerado.

Início da greve

Bombeiros, policiais militares e policiais civis do Rio decretaram greve por volta das 23h20 de quinta-feira. No horário, mais de 2.000 manifestantes se concentravam na Cinelândia, centro da capital fluminense. O anúncio de paralisação aconteceu no dia em que a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovou reajuste de 38,81% até 2013 para as categorias - percentual considerado insatisfatório. Sem votação, um líder do movimento fez o comunicado no microfone, durante a manifestação na Cinelândia.

- A partir deste momento, policiais civis, policiais militares e bombeiros estão oficialmente em greve.

Bombeiros, PMs e policiais civis disseram que continuarão atuando em casos emergenciais. Cerca de 30% do efetivo da Polícia Civil permanecerá em atividade. As investigações devem ser congeladas, mas ocorrências consideradas graves serão atendidas.

Assista aos vídeos:

 

 


 
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