Delegado quer saber quem são os responsáveis pela separação do lixo hospitalar
Bruno Rousso, do R7 | 24/10/2011 às 16h56A Polícia Federal deve começar a ouvir na semana que vem os diretores da Rede D’Or . De acordo com o delegado Fábio Scliar, a intenção é esclarecer quem são os verdadeiros responsáveis pela separação do lixo nas unidades hospitalares.
Na última quinta-feira (20), o chefe do setor de lixo do Barra D’Or, na zona oeste do Rio, foi preso após agentes da PF flagrarem materiais usados em tratamentos pós-operatórios e em CTI (Centro de Tratamento Intensivo) na área separada para lixo orgânico, o que caracteriza crime ambiental. O funcionário pagou fiança e foi liberado no dia seguinte.
- Acredito que segunda-feira (31) ou terça (1º) eu intime alguns diretores da rede. Quero saber como funciona a hierarquia, saber quem realmente mandava na segregação do lixo hospitalar.
Pouco depois de realizar a prisão, o delegado e outros agentes da Polícia Federal seguiram para o Quinta D’Or, na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro. Na unidade, os policiais apreenderam um caminhão com lixo hospitalar que seria despejado em um aterro sanitário de Itaboraí, na região metropolitana do Estado. Três funcionários da empresa de lixo extraordinário e um funcionário do hospital foram detidos e levados à sede da PF para prestar esclarecimentos.
Após perícia no veículo, a empresa responsável, que é contratada pela rede de hospitais, multada pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e ainda foi obrigada pela Polícia Federal a provar que trataria o lixo antes de descartá-lo, como explicou Scliar.
- Depois de inspecionarmos o caminhão, devolvemos para a empresa, mas com a condição de que ela me apresentasse um manifesto provando que o lixo todo seria tratado antes de ser depositado em um aterro sanitário.
Segundo o delegado, o inquérito foi aberto após a polícia apreender cerca de 830 kg de tecidos, entre lençóis e roupas hospitalares, na quarta-feira (19), em Ilhéus, na Bahia. O material seria de instituições de saúde de São Paulo e do Rio, entre elas unidades da rede D’Or.
Em nota divulgada na quinta-feira, o hospital Barra D’Or informou que “dispõe de processos transparentes e bem gerenciados em relação ao seu fluxo de resíduos, de forma a garantir a segurança de suas operações. E que, na visita feita pela Polícia Federal hoje (quinta-feira), não houve até o momento a constatação de nenhuma irregularidade que possa determinar risco para o consumidor, cliente ou colaborador”.
O hospital comunicou que aguarda a realização de perícia e se colocou à disposição para visitações em seus setores e para “apresentações dos processos de inventário e auditoria”.
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