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27 de Maio de 2012

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Polícia investiga se munição que matou
juíza foi desviada de batalhão da PM

Parte do lote das balas teria sido distribuído no Batalhão de Alcântara, em São Gonçalo

Do R7 | 22/08/2011 às 12h41
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O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, disse que vai investigar a denúncia de que a munição usada para matar a juíza Patrícia Acioli, no último dia 12 de agosto, em Niterói, na região metropolitana do Rio, pertencia à PM.

As balas de calibre 40 seriam de um lote de 10 mil projéteis vendido pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) à Polícia Militar. O R7 mostrou com exclusividade que as munições encontradas no carro da juíza eram de uso das polícias federal, civil e militar e de integrantes das Forças Armadas. Uma das três unidades que receberam a munição seria o Batalhão de São Gonçalo (7º BPM), área onde Patrícia Acioli combatia a presença das milícias e grupos de extermínio.

Mário Sérgio disse que, embora a PM não tenha sido informada formalmente, vai apurar a denúncia.

- Nós vamos verificar isso. Ainda não temos essa informação oficialmente, mas vamos cruzar os nossos dados. Mas se isso realmente for comprovado, reforça a hipótese de participação de policiais militares no caso.

O estojo onde o projétil fica armazenado tem a numeração de lote, o que possibilita saber junto ao fabricante para onde o material foi enviado.

Mário Sérgio disse ainda não ter recebido ainda um pedido para a confirmação oficial dessas informações, mas que vai verificar se houve desvio de munição de um lote que pertence à PM, assim como para qual batalhão foram destinadas..

50 autos de resistência

Dos 1.305 processos que constam na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, 50 casos envolvem autos de resistência (quando o policial mata alegando legítima defesa), segundo o juiz Fábio Uchoa, que substituiu a juíza Patrícia Acioli. Ainda de acordo com Uchoa, até o fim do ano serão julgados dois crimes envolvendo policiais e ex-policiais.

Conhecida por sua atuação rigorosa, a magistrada assassinada tinha um histórico de condenações contra policiais. Patrícia estava organizando uma força-tarefa para investigar crimes cometidos por policiais militares envolvidos com milícias em conjunto com a Corregedoria da PM e promotores do Ministério Público.

O presidente do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro), Manoel Alberto Rebêlo, pediu a transferência dos policiais militares que são réus em processos da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Na quinta-feira (18), Rebêlo disse que já tem a lista com os nomes dos PMs do Batalhão do 7º BPM que serão transferidos para outros batalhões no Estado.

Rebelo não informou quantos PMs serão remanejados e nem quando entregará a lista à Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Juíza tinha inimigos até na Polícia Civil

Documentos obtidos pela Rede Record mostram ainda que a juíza tinha inimigos até mesmo dentro da Polícia Civil. De acordo com os documentos, Patrícia desmontou um esquema de corrupção que funcionava dentro de uma carceragem da Polinter de Neves, em São Gonçalo, e por isso estava sendo ameaçada. Uma cópia do documento foi enviada para a DH (Divisão de Homicídios).

Assista ao vídeo:


 
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