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31 de Outubro de 2014

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Rio: taxa de assassinatos na baixada é o dobro da capital

Índice de homicídios na baixada superou o da cidade do Rio durante todo o ano

Isabele Rangel, do R7 | 12/09/2012 às 06h00 | Atualizado em: 12/09/2012 às 15h16
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A taxa de assassinatos registrados nos municípios da Baixada Fluminense superou em todos os meses deste ano as mortes por 100 mil habitantes da capital fluminense. Em julho, o índice alcançou o dobro do registrado na cidade do Rio de Janeiro. Enquanto a região que reúne 13 municípios registrou no sétimo mês do ano índice de 2,99 mortos por 100 mil habitantes, na capital, o número foi de 1,51.

As taxas foram calculadas pela reportagem do R7 com base no total de homicídios dolosos divulgado mensalmente pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) e nos números demográficos do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O dado mais recente revelado pelo ISP é referente ao mês de julho.

A média da taxa de homicídios dolosos da baixada nos sete primeiros meses do ano é 23% maior do que na cidade do Rio. O índice médio no período foi de 3,69 contra 2,08 na capital. O mês de maio, o mais violento do ano na baixada, teve índice 3,95 frente a 1,46 na cidade do Rio (veja abaixo tabela com as taxas).

Como os números dos homicídios só foram divulgados pelo ISP, da Secretaria de Segurança Pública, até julho, a taxa calculada pela reportagem não inclui as mortes ocorridas entre sábado (8) e domingo (9), quando 12 pessoas perderam a vida nos municípios de Mesquita e Japeri. Somente próximo à favela da Chatuba, oito pessoas foram assassinadas: um cadete da Polícia Militar, um pastor e seis jovens. Uma pessoa ainda continua desaparecida.

Falhas na política de segurança

Para especialistas, a Baixada Fluminense sofre com falta de policiais e de estrutura nas delegacias. A deficiência pode ser medida em números. Em março, a reportagem do R7 teve acesso aos efetivos dos seis batalhões da PM que patrulham a região. Ao todo, eram 2.910 PMs atuando nas 13 cidades, o que significava uma proporção de um policial para cada 1.254 habitantes. Esse efetivo era 24% menor do que o empregado nas 19 UPPs então implantadas na capital.

Para o antropólogo, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e especialista em segurança pública, Paulo Storani, as unidades policiais sempre tiveram problemas de efetivo, mas, com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora, os batalhões estão recebendo menos homens.

— Já há um interesse da polícia na reestruturação dos batalhões há muito tempo. Mas uma decisão desta implica na criação de outras unidades e exige uma logística grande. A política de pacificação é importante para o Estado, mas os policiais que estão sendo formados são diretamente alocados nas UPPs. Antes desse projeto, nós já tínhamos um problema grave de falta de efetivo na Polícia Militar.

Para a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB -RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), Margarida Pressburguer, a Baixada Fluminense não sofre só com a falta de policiais, mas também com a deficiência no treinamento dos PMs que já estão nas ruas.

— O problema é a falta de preparo. Formam-se policiais militares em cursos relâmpagos e eles são entregues às comunidades. Enquanto existem bandidos super bem armados, os policiais são mal remunerados e mal treinados.

Outro ponto apontado por Storani é o investimento em investigação. De acordo com ele, o número de homicídios elucidados no Rio não chega a 2% e a sensação de impunidade contribui para o aumento da violência.

— Hoje, a nossa capacidade de investigar, identificar e prender o criminoso ainda é muito reduzida. Uma das grandes formas de prevenir o delito é saber que, se você errar, há uma grande chance de ser preso, não apenas de 2% como ocorre hoje.

O R7 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública para que a pasta comentasse as críticas, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta.

taxa

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