Moradores se dizem aliviados por ausência de traficantes nas festas
Bruno Rousso, do R7 | 22/11/2011 às 05h41Organizar um evento na Rocinha não será fácil como antes. Desde domingo (13), quando as forças de segurança ocuparam a comunidade, soldados do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) impuseram medidas que batem de frente com a informalidade e irregularidade da maioria dos bailes funk, pagodes e outras festas que agitavam os dias e noites dos cerca de 70 mil moradores da favela.
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A “nova era” da Rocinha não proíbe nenhum tipo de confraternização, mas impõe limites, cobra documentação regularizada pela prefeitura e garantias de segurança, exigências que devem refletir no aumento do preço dos ingressos de bailes funk (até a semana passada, os bilhetes custavam entre R$ 5 e R$ 10). Apesar de mexer no bolso, a novidade ganhou apoio dos jovens.
Antes da ocupação, o estudante e adestrador de cães Leonardo Félix, de 23 anos, não se sentia seguro ao sair na comunidade. Por isso, optava quase sempre por curtir a noite na Lapa, região central do Rio. Com regras impostas e sem traficantes nos bailes, ele pretende voltar a se divertir mais perto de casa.
- Agora vai ter mais segurança e não teremos mais o risco de, de repente, acontecer um tiro, uma confusão grande. Eu vou ficar muito mais confiante e animado em ir às festas.
Durante reunião com moradores da Rocinha na quarta-feira (16), o comandante do Bope, coronel René Alonso, anunciou que as limitações não se restringem a eventos públicos. Os churrascos ou festas de família também precisarão entrar na linha. Fazer barulho após as 22h está proibido.
A decisão foi aprovada e comemorada pelo vendedor Alex de Oliveira e pelo estudante Danilo Bernardino, ambos de 23 anos. Eles perderam as contas de quantas noites passaram em claro por causa das intermináveis festas da vizinhança, como lembrou Alex.
- Eu adoro sair, mas festa todo dia não dá. A gente tem que dormir e isso atrapalha. Tem gente que vive de renda e não precisa acordar cedo no dia seguinte. Festa tem que ser só nos fins de semana. E, se for durante a semana, que seja mais cedo. Tanto eu como ele [Danilo] já ficamos sem dormir muitas vezes.Bailes funk x risco
Os bailes e festas ilegais sempre foram maioria na Rocinha, mas alguns locais já cumprem regras há muito tempo. O clube Emoções, localizado no início da estrada da Gávea, um dos principais acessos à comunidade, é famoso pelos grandes eventos.
Com alvará da prefeitura e estrutura que cumpre as exigências impostas pelo Bope, o local não sentiu os reflexos da mudança e, inclusive, organizou um megaevento para a noite de sexta (18), com MC Naldo e outros artistas.
De acordo com o dono do clube, Wagner Beta, somente para conseguir a liberação do Corpo de Bombeiros foram gastos R$ 28 mil. Em cada festa, ele tem de desembolsar mais R$ 1.200 para pagar os seguranças. Os ingressos variam entre R$ 10 e R$ 20.
- É justo que agora todo mundo precise disso. Porque eu pago muito caro para ter tudo certo e, enquanto isso, faziam festas aí que só davam lucro. Não gastavam nada e colocavam as pessoas em risco.
Com a pacificação, Wagner espera ainda que pessoas de fora da comunidade passem a frequentar o local.
- Pelo que sei e converso com amigos meus, nas outras comunidades pacificadas aconteceu assim. As pessoas de fora passaram a ir mais depois da chegada da polícia. Então, eu acho e espero que o mesmo ocorra aqui.
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