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25 de Outubro de 2014

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Rocinha: favela vence desafio do lixo, mas ainda sofre com falta de luz e esgoto

Moradores da maior favela do Rio se dizem satisfeitos com serviço de saúde

Bruno Rousso, do R7 | 13/11/2012 às 02h00
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Passado um ano da ocupação policial, moradores da Rocinha ainda enxergam uma favela partida em alguns aspectos. São frequentes as reclamações sobre problemas básicos, como saneamento, luz e até fornecimento de água. Por outro lado, coleta de lixo, considerada pelo prefeito Eduardo Paes o maior desafio, e serviços de saúde satisfazem boa parte dos quase 70 mil habitantes da comunidade.

Diariamente, são retiradas da Rocinha 120 toneladas de resíduos, o que representa um aumento de 50% em relação ao período em que a favela caminhava sob as leis do tráfico. Segundo a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana), os garis não tinham acesso a algumas áreas “por questões de segurança”.

Hoje, o caminhão de lixo sobe as ladeiras da comunidade duas vezes todos os dias da semana. Segundo José Osmar Rodrigues, de 42 anos, dono de uma barraquinha no principal acesso da estrada da Gávea, basta um rápido passeio para notar as mudanças.

— Ainda podemos ver lixo acumulado em algumas caçambas, mas isso também é fruto da falta de consideração de algumas pessoas. Porque esse negócio do lixo está legal, sim. Fico todo dia aqui na entrada até umas 19h e eles [garis] sempre entram aí. Não tenho dúvida de que melhorou muito. Antes, era lixo espalhado para todo lado. Agora temos as calçadas livres e não tem aquele aspecto horrível de sujeira, de abandono.

O número de garis mais que triplicou em um ano, chegando a cem. Alguns deles foram deslocados para uma função específica e cheia de riscos: manter limpas as encostas. Os chamados garis alpinistas foram treinados por técnicos da Defesa Civil e, a cada 15 dias, se equilibram nos pontos mais altos da favela para evitar o acúmulo de lixo.

Saúde e saneamento

Primeira comunidade pacificada a ter 100% de cobertura da Estratégia de Saúde da Família, a Rocinha ganhou nos últimos anos duas Clínicas da Família, uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas e dois Centros Municipais de Saúde. Ao todo, 11 unidades atendem à comunidade. O motorista Antônio da Silva, de 27 anos, admite que a comunidade, mesmo longe do ideal, melhorou muito.

— Desde que eu me entendo por gente, vivo aqui. Já passamos por situações complicadas. Com o tempo, ficou melhor. Às vezes, ainda enfrentamos filas ou esperamos muito pelo médico, mas, no geral, não dá para reclamar. Pelo menos temos atendimento, somos bem tratados.

Os elogios à coleta de lixo e estrutura da rede de saúde, porém, não se estendem a outros itens básicos. Valões com esgoto a céu aberto ainda correm pela favela, a iluminação em becos e vielas deixa a desejar e o fornecimento de água também fica devendo.

A vendedora Luciene de Souza vive próximo à rua 1, localidade na parte alta da comunidade. Embora não negue as melhorias  notadas nos últimos meses, ela conta que fica sem água ao menos três vezes a cada 30 dias e ainda reclama da escuridão no beco de sua casa.

— A questão da água é ruim mesmo. Já falei com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) e me disseram que tudo está sendo ajustado, que isso acontece por conta dos gatilhos que tinham antes. E tem também a iluminação aqui na rua. É difícil enxergar e, à noite, às vezes preciso iluminar meu caminho com o telefone celular.

Na inauguração da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, em setembro passado, o vice-governador Luiz Fernando Pezão anunciou que o Estado vai entregar ao governo federal, até o fim do ano, o projeto do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que a favela precisa. Com custo de R$ 25,99 milhões, as obras devem começar em 2013, abrangendo serviços de drenagem, esgoto, iluminação, pavimentação e urbanismo, construção de creche e de mercado popular, além de plano inclinado. Em parceria com o governo federal, o Estado investiu R$ 272 milhões no PAC na Rocinha.

Outro lado

A Cedae informou mais de 300 vazamentos foram corrigidos na comunidade desde a ocupação. Segundo a companhia, foi iniciada a construção da estação elevatória para beneficiar os moradores, que deve passar a funcionar em 2013. Segundo a Cedae, entre as principais intervenções previstas, estão a reabilitação das redes de abastecimento e a colocação de hidrômetros nos comércios.

Em relação aos problemas de iluminação pública, a Rioluz (Companhia Municipal de Energia e Iluminação) informou ter implantando 846 novos pontos de luz, reformulado 1.690 e modernizado outros 2.536 na Rocinha.


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