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27 de Maio de 2016

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Rocinha fica mais cara e “expulsa” moradores

Após ocupação da polícia, aluguel na favela aumentou cerca de 30%

Isabele Rangel, do R7 | 03/03/2012 às 16h40

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A retomada da favela da Rocinha pelas forças de segurança colocou a comunidade em foco. Com localização privilegiada, na zona sul do Rio de Janeiro, perto da praia e com vista para o mar, a pacificação deveria ser motivo apenas de comemoração para os moradores, mas trouxe um efeito colateral difícil de ser controlado: o aumento do custo de vida, que tem provocado um "movimento migratório" na favela que já foi considerada a maior da América Latina.

A nova condição atingiu em cheio a família de Anderson Luiz Ferreira da Silva, de 35 anos. Desde a ocupação da comunidade, em novembro de 2011, o aluguel aumentou 16,5% e o proprietário do imóvel já avisou: o valor deve subir ainda mais.

- Eu não quero sair daqui mas, se apertar, não vai ter jeito.

Anderson é chefe de cozinha, mas não está em atividade porque o local onde trabalha está em reformas. Na casa com cozinha, quarto e banheiro vivem ele, a mulher Andressa Souza de Carvalho e os dois filhos, Nicolas e Vitória. Após a ocupação da polícia, não foi só o aluguel que subiu. A família também começou a pagar a conta de luz e teve que mudar hábitos. 

- Desistimos de usar o ar-condicionado. A gente tem o aparelho, mas a conta fica cara demais. No primeiro mês, pagamos R$ 11. No início de fevereiro, a conta veio R$ 50. Aí, ficou pesado.

O chefe de cozinha contou que não é só a sua família que está enfrentando dificuldades. Uma das vizinhas dele já se mudou para a Baixada Fluminense e outra moradora do mesmo prédio já está planejando fazer o mesmo.

Anderson lembra que, há cinco anos, morava na parte baixa da Rocinha, considerada a área mais nobre da favela. Ele pagava R$ 300 de aluguel em uma casa de dois quartos, mas sempre tinha problemas como a falta de água. Em busca de um preço mais em conta, ele se mudou para o apartamento na localidade conhecida como Cesário, próxima à rua 1, em uma região mais alta da comunidade, mas não conseguiu fugir do aumento de preços.

- Eu vim para cá justamente para pagar mais barato, mas agora estou pagando o mesmo que há cinco anos em um apartamento bem menor.

Segundo o administrador de imóveis Jorge Ricardo Souza dos Santos, de 35 anos, conhecido como Kadinho, esses casos não são isolados. Apesar da grande procura por imóveis na favela, todos os dias moradores deixam a Rocinha por falta de condições financeiras.

- A Rocinha sempre teve o aluguel muito caro, mas com a entrada da polícia, houve mais divulgação. Agora, o preço do aluguel tem aumentado, as opções de imóveis para alugar estão diminuindo e eu estou vendo muita gente sair daqui, inclusive, voltando para o Nordeste. Todo dia tem cinco ou seis caminhões de mudança na minha rua. Encareceu demais em um mercado que não tinha mais o que encarecer.

Rocinha: aluguel de até R$ 1.200

Antes da entrada da polícia, em novembro do ano passado, o aluguel de um imóvel na parte baixa da Rocinha, com um quarto, custava R$ 400. Hoje, a média é de R$ 600. Há um ano, morar em uma casa de dois quartos na Rocinha custava R$ 600 por mês, mas agora o valor pode chegar a R$ 1.000. No caso de imóveis mais bem acabados ou com três quartos, o preço do aluguel atinge R$ 1.200. A média de aumento foi de R$ 200, ou seja, cerca de 30% do salário mínimo.

O professor do Departamento de Sociologia e Política da PUC- Rio (Pontifícia Universidade Católica) Ricardo Ismael observa que esse é um fenômeno que não atinge só a Rocinha. Em 2011, ele fez uma pesquisa sobre a situação social na favela Vila Parque da Cidade, no bairro da Gávea, na zona sul.

Segundo o levantamento, na comunidade, que tem cerca de 10 mil moradores, o valor médio do aluguel era de R$ 600. De acordo com Ricardo Ismael, o estudo apontou que a tendência era de aumento dos preços.

- A gente percebeu que as pessoas que moravam de aluguel já encontravam dificuldades para pagar suas contas e tinham que começar a buscar alternativas.

O professor lembra que a valorização dos imóveis atinge, inclusive, quem vive no entorno das favelas, principalmente as da zona sul da cidade, que passaram pelo processo de pacificação. No entanto, ele reconhece que os efeitos são mais sentidos dentro das comunidades, onde os trabalhadores, em sua maioria, são assalariados.  

- Há uma valorização muito elevada, que terá que ser administrada, e que vai muito além do aumento recebido pelos trabalhadores que vivem com o salário mínimo.


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