Segundo governo, militares não se posicionaram após reunião realizada em maio
Do R7 | 04/06/2011 às 09h59A Seplag (Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro) informou através de nota na noite de sexta-feira (3) que aguarda uma nova proposta dos representantes dos bombeiros militares, conforme ficou decidido em reunião realizada no dia 25 de maio, na sede da secretaria. O discussão entre as partes é por causa de reivindicações por melhores melhores salários e condições de trabalho. Os bombeiros, que recebem cerca de R$ 950, querem principalmente piso salarial líquido de R$ 2.000 e vale-transporte.
Cerca de 2.000 bombeiros ocuparam o quartel central por volta das 20h em protesto. A Polícia Militar invadiu o local às 6h deste sábado (4) e os manifestantes foram levados presos para o Batalhão de Choque, também no centro.
Para a secretaria, a manifestação, começou em frente à Assembleia Legislativa, representa "um novo gesto de radicalização por parte dos bombeiros que participam do movimento, na medida em que nenhuma nova proposta foi apresentada até agora e que os reajustes concedidos em junho de 2007, com início em janeiro de 2011, representam aumentos de 1% ao mês até dezembro de 2014, com impacto de R$ 1 bilhão no orçamento do Estado nos próximos quatro anos".
A pasta informou ainda que o governo decidiu abrir negociação com os bombeiros, aceitou suspender os descontos dos dias parados, revogou a prisão das lideranças e suspendeu os processos de deserção dos bombeiros faltosos.
No dia 25 de maio, foi realizada a primeira reunião, quando o secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, recebeu o deputado e líder do governo na Assembleia Legislativa, André Correa (PPS), a deputada Janira Rocha (PSOL), o deputado Flávio Bolsonaro (PP), o subsecretário de Gestão do Trabalho e da Educação da Secretaria de Saúde e Defesa Civil, coronel Sylvio Jorge de Souza Junior, e representantes dos bombeiros militares. Naquele dia foi apresentada ao governo a proposta de aumentar o vencimento básico do soldado para R$ 2.000.
O secretário Sérgio Ruy Barbosa explicou que, de janeiro de 2007 a julho de 2010, os bombeiros militares tiveram reajustes anuais que elevaram suas remunerações em 29,73%. Além disso, em junho de 2010 foi aprovada uma lei que resultará no aumento acumulado, em oito anos, de 100,8% na remuneração do soldado, passando de R$ 1.034,11 para R$ 2.077,25, em dezembro de 2014, sem contar triênios e outras gratificações. Esses valores incluem o auxílio moradia de 107% do soldo pago aos soldados com dependentes (80% da corporação). Os soldados que não têm dependentes recebem auxílio moradia de 45% do soldo.
No caso dos bombeiros militares que recebem gratificação de capacitação, de R$ 350 mensais, a remuneração chegará a R$ 1.996,13 em dezembro de 2011, muito próximo da proposta apresentada ao governo.
Ainda de acordo com o comunicado da secretaria, as melhorias na remuneração que vêm sendo promovidas pelo governo desde 2007 resultaram, em abril de 2011, num aumento médio de 33% para os soldados, de 45% para os cabos, de 38% para os segundos sargentos e de 44% para os capitães. Esses seriam exemplos das patentes que contam com o maior efetivo da corporação, já que todos, sem exceção, segundo a secretaria, tiveram melhorias salariais semelhantes.
A nota termina dizendo que, ao final da reunião do dia 25 de maio, ficou acertado que seria marcado um encontro técnico entre representantes da Seplag e dos bombeiros para que os números apresentados pelo secretário fossem analisados e os bombeiros pudessem rever sua proposta, mas os representantes dos bombeiros não procuraram a Seplag para marcar este encontro.
Governador discute protesto com secretários
A cúpula do governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou uma reunião às 8h deste sábado no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul carioca. O objetivo é discutir a invasão de cerca de 2.000 bombeiros ao quartel central em protesto por melhores salários e condições de trabalho.
O encontro é liderado pelo governador Sérgio Cabral. Participam ainda o vice-governador Luiz Fernando Pezão; o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame; o secretário de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa; o secretário de Estado de Governo, Wilson Carlos; o secretário de Estado da Casa Civil, Regis Fichtner; e a procuradora-geral do Estado, Lúcia Lea Tavares.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, coronel Pedro Machado, esteve na reunião, mas já deixou o palácio. Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, chegou ao local para o encontro por volta das 8h. A expectativa é a de que o governador se manifeste após a reunião.
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