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16 de Setembro de 2014

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Sem ser incomodado, chefe do tráfico completa 10 anos no "poder"

Ilha não tem UPPs e batalhão da área tem o menor índice de apreensões do Rio

Marcelo Bastos, do R7 | 09/03/2013 às 01h00
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Desde o início da política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), há pouco mais de quatro anos, chefões do tráfico foram presos e perderam o domínio de territórios estratégicos. No entanto, Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, de 34 anos, chefe do tráfico há mais tempo em liberdade, parece pouco incomodado pela polícia: neste ano, o criminoso completa dez anos à frente do morro do Dendê e de outras comunidades da Ilha do Governador, na zona norte da cidade.

Contra Guarabu, há nove mandados de prisão pelos crimes de tráfico, associação ao tráfico e porte ilegal de armas. O Disque-Denúncia oferece R$ 2.000 de recompensa por informações que levem à prisão do traficante, cujo grupo tomou o controle do morro do Dendê em 2003, matando 12 traficantes rivais.

Além do Dendê, nenhum outro reduto de Guarabu na Ilha, como as comunidades Guarabu, Pixuna, Querosene, Parque Royal e Praia da Rosa, foi ocupado pela PM. A repressão policial ao tráfico também parece pouco eficiente na região. Dos 17 batalhões da PM na capital, o da Ilha do Governador (17º BPM) foi o que registrou menos apreensões de drogas em 2012. Foram 52 em 12 meses. No Dendê, as duas últimas operações foram realizadas pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais), em janeiro, novembro e agosto. Elas resultaram em sete mortes, armas e drogas apreendidas.

O batalhão que mais registrou apreensões de drogas em 2012 foi o de Bangu (14º BPM), com 404 casos. Em uma das áreas mais seguradas da cidade, onde todas as favelas já estão pacificadas, foram realizadas 175 apreensões na área do Batalhão de Copacabana (19º BPM).

AK-47

O processo nº 2004.001.151264-4 do Tribunal de Justiça revelou, há dez anos, a ligação da quadrilha com um soldado da PM, que fornecia armas para o grupo. Consta no processo ainda que interceptações telefônicas feitas pela Polinter comprovaram pagamento a PMs, que permitiam bailes funk com consumo de drogas no morro do Dendê.

Informações de setores de inteligência da Polícia Civil indicam que Guarabu conta com apoio de ao menos cem homens armados de fuzis e pistolas. A arma preferida da quadrilha é o fuzil AK-47, capaz de disparar mais de 600 tiros por minuto. Durante todo o ano de 2012, o 17º BPM apreendeu 52 armas em toda a Ilha do Governador, o quarto menor índice de apreensões de armas entre os batalhões da capital.

Proibições

Ao contrário de muitos chefes do tráfico que mandam ou autorizam seus subordinados a descerem o morro para matar e roubar, o chefão da Ilha costuma proibir roubos no bairro, punindo com a morte quem o desobedesse. Em junho de 2010, Guarabu foi apontado como principal suspeito da morte de dois jovens, conhecidos como Pivete e Galak, suspeitos de roubar uma joalheria em um shopping do bairro. O corpo de Pivete foi encontrado dias depois, boiando em uma praia da Ilha.

Guarabu se diz muito religioso. Além de uma tatuagem com o nome de Jesus Cristo no braço, o traficante tem a casa decorada com imagens de Cristo. No morro do Dendê, muitas casas foram grafitadas com dizeres bíblicos. Ele também já proibiu a realização manifestações religiosas de umbanda e candomblé, por exemplo. Em outubro de 2009, o criminoso foi personagem de uma reportagem da conceituada revista New Yorker.

Outras proibições fazem parte da forma como o traficante mantém o controle da região. Depois de receber reclamação de mães sobre crianças que assistiam a filmes pornográficos na TV por assinatura clandestina, o traficante mandou cortar esse tipo de conteúdo. Em 2010, ele chegou a proibir crianças de soltar pipar porque um suposto primo dele sofreu um profundo corte no pescoço por causa de linha de pipa com cerol.

Fernandinho Guarabu também faz a linha assistencialista para não ser denunciado. E parece fazer efeito. Enquanto o Disque-Denúncia recebeu mais de 1.600 ligações sobre o traficante FB, preso no ano passado, Guarabu foi alvo de pouco mais de 500 ligações em dez anos. Em 2012, foram 67 denúncias. Este ano, apenas dez.

Procuradas desde a última terça-feira (5), as polícias Civil e Militar não se pronunciaram. A Secretaria de Segurança Pública não informou se as favelas da Ilha vão receber UPPs, já que não divulga o cronograma de futuras ocupações.


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