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Para administrador do edifício, obra era pequena
Mariana Costa, do R7 | 27/01/2012 às 22h38O síndico do edifício Liberdade, que desabou sobre outros dois prédios no centro do Rio na noite de quarta-feira (25), entregou na tarde desta sexta-feira (27) à Polícia Civil documentos em que o condomínio exigia da empresa TO (Tecnologia Organizacional) mais informações sobre as obras em andamento no 3º e 9º andar. Paulo Renha prestou depoimento durante duas horas na 5ª Delegacia de Polícia (Mem de Sá), na Lapa.
Fotos revelam dimensão da catástrofe
Assista ao momento do desabamento
Pânico e correria no centro logo após desabamento
Veja a cobertura completa em vídeos
O advogado do síndico, Eduardo de Moraes, disse que novembro o condomínio enviou uma carta sobre as obras no 3º andar e recebeu resposta da TO. Em janeiro um novo pedido de informações foi feito pelo condomínio, desta vez sobre as obras no 9º andar, mas, neste caso, a empresa não teve tempo de responder, informou o advogado de Renha. Segundo o síndico, a obra era pequena.
- São obras de modernização e reforma. É um prédio de 73 anos, as pessoas fazem reformas. Não sei se foram retiradas as paredes. Mas garanto que o prédio tem 73 anos e está de pé até hoje [sic].
Na tarde desta sexta, o sócio-diretor da empresa, Sérgio Alves, disse que a reforma do 9º andar foi planejada por uma funcionária da empresa TO que não tem formação em engenharia e foram autorizadas pelo síndico do prédio. Cristiane Azevedo é formada em administração de empresas, mas fazia as plantas de reformas dos seis andares no prédio, onde a TO tinha escritórios. O síndico Paulo Renha pediu um laudo para um engenheiro, mas autorizou o início da obra mesmo antes de o documento ser entregue, disse o sócio-diretor da empresa, Sérgio Alves.
A reforma do 9º andar começou há oito dias e havia derrubado seis paredes para a demolição de dois banheiros. Alves alegou que a empresa já realizou outras obras no prédio e que esse tipo de reforma não precisa de autorização da prefeitura.
O sócio da empresa disse que, mesmo assim, o síndico se preocupou com a obra por causa da quantidade de material e entulho e por isso pediu um laudo. No entanto, segundo Alves, o engenheiro que há havia feito laudos - documentos com cálculos de engenharia - para outras reformas na empresa não estava disponível. A TO fez uma reforma no 3º andar no ano passado, entre setembro e outubro, que teve o desenho de Cristiane e o laudo de um engenheiro.
- O engenheiro que fez o laudo do 3º andar teve um problema pessoal e não pode fazer o laudo agora. Nesse período o síndico autorizou começar obra.
Cristiane, que se feriu na cabeça no desabamento e está internada, fazia as plantas das reformas porque havia feito um curso para desenhar projetos, disse Alves.
- Ela recebeu conhecimento técnico.
Renha teria pedido o laudo para a TO também porque viu que a funcionária que planejou a reforma não era uma engenheira, justificou o diretor da empresa.
- As estruturas do prédio ficam do lado de fora. Estamos nesse prédio há 13 anos e fazemos obras há dez anos. Nunca foi pedida autorização.
Na tarde desta sexta as equipes chegaram ao ponto onde estaria concentrado o maior número de vítimas. As buscas estão focadas na área onde ficava um curso, no prédio de número 44 na avenida 13 de Maio, no qual estariam 11 pessoas.
Assista aos vídeos:
A tragédia
Três prédios de aproximadamente 18, 10 e quatro andares desabaram pouco depois das 20h de quarta-feira (25), na avenida 13 de Maio, região da Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Houve pânico e correria. Seis pessoas tiveram ferimentos leves. Mais de 20 ficaram soterradas. Um posto de informações para familiares de vítimas foi montado na Câmara dos Vereadores.
A Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro, a CEG, informou que não fornecia gás para nenhum dos três prédios que desabaram e que não há registro de pedido de vistoria para esses edifícios.
Segundo a CEG, o fornecimento de gás para as ruas localizadas no entorno dos edifícios que caíram permanece interrompido por medida de segurança, conforme solicitação da Defesa Civil e da Prefeitura do Rio.
Desde as 6h de quinta-feira (26), estão interditados os seguintes trechos: avenida Treze de Maio e avenida Almirante Barroso entre a avenida Rio Branco e a rua Senador Dantas. Esta última está com mão invertida entre a avenida Almirante Barroso e a rua Evaristo da Veiga. Veículos procedentes da Cruz Vermelha e da avenida República do Chile devem seguir pela rua Senador Dantas.
Equipes de diferentes órgãos, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Comlurb, trabalham na remoção dos escombros. O entulho é levado para um galpão e passará por perícia. A expectativa é de que a remoção total termine em dois meses.

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