Engenheiro avisa que obras de prevenção para evitar novas tragédias não foram feitas
Carlyle Jr., do R7 | 05/01/2012 às 05h44A poucos dias de completar um ano da tragédia que deixou mais de 900 mortos, a região serrana do Rio revive o medo das chuvas fortes. Em visita aos municípios atingidos pelo temporal do ano passado na quarta-feira (3), representantes do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro) alertam para a possibilidade de novos deslizamentos e enchentes na serra fluminense.
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Da virada do ano até a última segunda-feira (2), uma chuva forte voltou a assustar os moradores da região serrana. Só em Nova Friburgo, choveu em 24 horas o esperado para metade do mês de janeiro.
Por causa do temporal, 14 sirenes de alerta foram acionadas e cerca de 300 moradores tiveram que deixar suas casas. O assessor de meio ambiente do Crea-RJ, o engenheiro Adacto Ottoni, diz que, para evitar uma nova tragédia, os moradores devem torcer para não chover nos primeiros meses do ano.
- O tempo para fazer as obras de prevenção passou. A prevenção deveria ter sido feita na estiagem, entre maio e outubro do ano passado. O morador tem que torcer para não chover em Nova Friburgo, onde a situação é mais crítica, por exemplo.
Obras emergenciais não evitam enchentes
Arrasados pela tragédia de 2011, os bairros de Duas Pedras e Córrego Dantas, em Nova Friburgo, continuam sujeitos a novos deslizamentos e enxurradas, segundo a avaliação dos técnicos do Crea-RJ. Na época da enchente, o rio que corta o bairro chegou a ampliar a sua largura de 4 para 100 m, o que provocou o desabamento de pelo menos 150 imóveis.
Na primeira visita do Crea-RJ, em janeiro de 2011, Ottoni lembra que foi recomendado às autoridades o reflorestamento das encostas para evitar que os rios da região sofressem com o assoreamento. No entanto, segundo o engenheiro, os trabalhos foram feitos de forma equivocada.
Ocupação irregular
Ottoni destaca que a tragédia completa um ano com apenas medidas emergenciais para comemorar, como instalação de sirenes nas áreas de risco e dragagens de rios. Para ele, a solução definitiva para as enchentes na serra fluminense depende de ações efetivas do poder público de combate às ocupações irregulares de encostas e beira de rios.
- As prefeituras não fiscalizam e permitem a ocupação irregular dos solos. Não adianta culpar a natureza pela negligência do governo.
De acordo com o engenheiro, a população ocupa de forma irregular a parte alta dos morros, eliminando a cobertura vegetal. Ele explica que são as raízes das árvores que seguram o solo. Sem a vegetação, as encostas vêm abaixo, resume Ottoni.
- As encostas devem ser reflorestadas para que o solo absorva a água das chuvas. É o que aconteceria se essas áreas não fossem desmatadas.

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Municípios decretam estado de emergência
Além da região serrana, municípios do norte e noroeste também sofrem com os efeitos da chuva que cai no Estado neste início de ano. Segundo a Defesa Civil Estadual, seis cidades decretaram situação de emergência na quarta-feira.
Laje do Muriaé, Itaperuna, Cardoso Moreira, Italva, Miracema e Santo Antônio de Pádua pediram ajuda ao Estado para superar as enxurradas. Mais de 24 mil moradores já estão desabrigados e desalojados por causa das enchentes dos rios no norte e noroeste fluminense.
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