Foram mobilizados 40 agentes federais e 11 viaturas para fazer a segurança da operação
Do R7 | 19/11/2011 às 16h04O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, já se encontra no Presídio Federal de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, que já abrigou Fernandinho Beira-Mar, chefe da maior facção criminosa do Rio.
Ele irá permanecer em uma área isolada, conhecida como triagem, por pelo menos 20 dias, conforme informou o diretor da unidade, Washington Clark.
Veja as fotos da prisão do traficante
Nem e comparsas embarcam para Campo Grande
Ao todo, 40 inspetores penitenciários do GSE (Grupamento de Serviço e Escolta) e 11 viaturas da Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) escoltaram o criminosos que deixou o complexo penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio, por volta de 6h15.
No aeroporto do Rio, um avião de pequeno porte cercado por homens fortemente armados esperava o traficante. Nem e os outros dois criminosos entraram algemados no avião pouco antes das 8h e a aeronave decolou por volta das 8h30 rumo a Campo Grande. Participaram da operação 40 agentes e 11 viaturas.
Atualmente, há 113 presos na unidade de Campo Grande, todos ocupando individualmente uma das 208 celas, de 7 m² cada. As unidades são monitoradas 24 horas por câmeras que transmitem informações para duas centrais - uma na própria unidade e outra na sede do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), em Brasília.
Nem desembarcou por volta de 13h25 deste sábado (19) no Aeroporto Internacional de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Assim como na saída do Rio de Janeiro, foi montado um forte de esquema de segurança para levá-lo ao Presídio Federal de Campo Grande. Cerca de 12 homens fortemente armados o aguardavam na pista de pouso.
O pedido de transferência de Nem foi feito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e autorizado pela Justiça Federal na sexta-feira (18). Para a presidência do TJ-RJ, Nem não poderia permanecer no Estado, onde chefia uma organização criminosa.
Sem confrontos ou feridos, as forças de segurança retomaram o controle no domingo (13) das comunidades da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, todas na zona sul do Rio de Janeiro. A operação, que contou com apoio de blindados da Marinha e de agentes federais, durou apenas duas horas e completou a pacificação de todas as favelas da zona sul carioca.
Delação premiada
O procurador-geral do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, busca uma nova forma de tentar convencer o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, a colaborar com as investigações e contar à Justiça o que sabe da forma mais detalhada possível.
Para isso, Cláudio Lopes conversou com o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, informando-lhe que existe uma prerrogativa legal para que seja oferecida a delação premiada ao traficante. No entanto, para isso, é necessário reunir promotores e juízes que cuidarão dos processos contra Nem, pois são eles quem podem oferecer tal benefício.
- Eu conversei com o secretário Beltrame e lhe disse que a lei prevê essa possibilidade [de delação premiada], mas é um benefício que deve ser aplicado pelo juiz. O que eu propus é uma interlocução entre os promotores e os juízes que vierem a atuar nos casos para que eles discutam essa possibilidade, tendo em vista a possibilidade de ele prestar esclarecimentos objetivos à Justiça sobre os crimes que ele praticou e as pessoas envolvidas nesses crimes.
Para promotores, interessaria oferecer a Nem tal benefício se o traficante contasse, por exemplo, quem são os policiais envolvidos no esquema de corrupção que levava mensalmente metade de seu faturamento com a venda de drogas.
- Se houver um esclarecimento absoluto dos crimes praticados por ele e com base nas eventuais condenações, ele pode ter uma redução de pena, mas novamente, essa é uma decisão dos promotores que atuarem no caso e dos juízes.
Claúdio Lopes disse ter ouvido de Beltrame que “é importante que haja um entendimento nesse sentido”.
Instalação da UPP na Rocinha
O Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) vai permanecer na comunidade da Rocinha em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, pelos próximos 60 dias, até a instalação da 19ª UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). A informação foi dada pelo sargento Marco Antonio Gripp, porta-voz da corporação.
Até a inauguração da nova UPP, que ainda não tem data oficial definida, o Bope fará uma extensa varredura à procura de drogas, armas e de criminosos que estejam escondidos na comunidade que sofreu por quase 40 anos sob o domínio do tráfico de drogas.
De acordo com o sargento, nesta segunda-feira os policiais checam informações que já haviam sido mapeadas pelo Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança do Estado e também enviadas por bilhetes pela população.
- Após a retomada, sem o disparo de nenhum tiro, a noite foi tranquila. Vamos continuar aqui até a chegada da UPP, fazendo o nosso trabalho. A colaboração da população é essencial. Eles são parte fundamental nesse processo de paz na comunidade e eles já entenderam isso.
O Bope se surpreendeu com a quantidade de denúncias feitas pela população da comunidade em pouco mais de 30 horas de ocupação. Além de denúncias, um grande número de bilhetes com agradecimentos chegou às mãos dos representantes da corporação.
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