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27 de Maio de 2016

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Tráfico vai a leilões do Detran para
"esquentar" carros roubados no Rio

Sobre chassis de carros destruídos, surgem novos veículos com peças roubadas

Marcelo Bastos, do R7 | 18/07/2012 às 06h00
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Venda de drogas e roubos não são mais as únicas fontes de lucro para os traficantes do morro do Chapadão, em Costa Barros, zona norte do Rio. Os criminosos montaram um esquema de lavagem de dinheiro com legalização e revenda de carros roubados, conforme revela inquérito da Delegacia da Pavuna (39ª DP) a que o R7 teve acesso.

Segundo as investigações, representantes do tráfico vão a leilões de carros feitos pelo Detran (Departamento de Trânsito) e arrematam carros destruídos, que tiveram perda total. Os traficantes roubam carros dos mesmos modelos e montam os veículos roubados sobre o chassis do carro comprado em leilão, em situação regular, e adquiridos a preços baixos.

A investigação revela que os carros “esquentados” são vendidos em agências e usados na troca por armas e drogas. Os modelos preferidos são os importados, que podem ser vendidos por mais de R$ 30 mil. Um investigador diz que a mesma modalidade de crime já foi praticada por traficantes do morro do Fallet, em Santa Teresa (centro).

Veja fotos dos chefes do tráfico na região

- Traficantes do Fallet já usaram do mesmo artifício para ganhar dinheiro e agora verificamos a mesma situação aqui. O Nando Bacalhau, que é o chefe do tráfico no Chapadão, não é o dono do morro. Ele toma conta da favela para o FB (Fabiano Atanásio da Silva), que está preso. Grande parte do dinheiro do tráfico é destinada ao FB. Então, o Bacalhau quer aumentar a parte dele.

Quando os carros são roubados para praticar assaltos, transportar traficantes ou desovar corpos, geralmente a polícia recupera esses veículos. No Rio, dos 3.769 roubados entre janeiro e abril deste ano, 82% foram recuperados. Na área patrulhada pelo Batalhão de Irajá (41º BPM), onde fica o Chapadão, esse índice cai para 65%, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).

A montagem do veículo roubado sobre o chassis do carro adquirido em leilão acontece em oficina especializada fora da favela. O comprador não tem ligação direta com o tráfico e não tem antecedentes criminais, para não chamar a atenção da polícia.

Procurada, a assessoria de imprensa do Detran-RJ disse que encaminharia as informações sobre a investigação à direção do órgão.

Câmeras proibidas

Rival de Nando Bacalhau, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, é chefe do tráfico no morro da Pedreira, também em Costa Barros. Os dois controlam suas comunidades com violência a desafetos e ostentação de armamento pesado, segundo a polícia. Quando surgem em público, em bailes funks nas favelas, por exemplo, eles proíbem o uso de câmeras fotográficas e celulares pelos frequentadores, porque temem que sua localização seja informada à polícia.

Mesmo controlando territórios muito pobres, como as favelas de Costa Barros, os traficantes também ostentam cordões, anéis de ouro e roupas de marcas famosas. Nando Bacalhau promove bailes funks nos fins de semana no Chapadão, regados a muita droga, uísque e energético. Com aparelho nos dentes, o traficante tem “cara de playboy”, como dizem os policiais.

Mesmo sem enfrentamento direto, os rivais tentam prejudicar um ao outro, como revela o comandante do Batalhão de Irajá (41º BPM), tenente-coronel Carlos Eduardo Sarmento.

— O Playboy manda seus comparsas roubarem no pé do Chapadão para que os roubos caiam na conta dos rivais. Já prendemos criminosos da Pedreira nos acessos ao Chapadão.

Recentemente, a PM impediu uma tentativa de invasão de traficantes da Pedreira ao morro do Chaves, em Barros Filho. Três traficantes foram mortos e três foram presos.

— Estrategicamente, seria muito bom para eles e muito ruim para nós. Se eles chegassem ao morro do Chaves, tomariam facilmente as favelas Proença Rosa e Mundial. Formariam um corredor. O morro do Chaves margeia a avenida Brasil. Seria ruim até circular por ali.

O Disque-Denúncia (0xx21 2253-1177) oferece R$ 2.000 de recompensa por informações que levem à prisão de cada um dos traficantes. O comandante afirma, no entanto, que o medo imposto por eles faz com que a população local tenha medo de denunciar.

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Área patrulhada pelo Batalhão de Irajá é formada por 14 bairros, entre eles, Costa Barros, Pavuna e Acari


 
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