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27 de Maio de 2016

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Tragédia na região serrana é resultado
da negligência dos governos, diz especialista

Para professor da Uerj, prefeituras não fiscalizam a ocupação dos morros e encostas

Carlyle Jr., do R7 | 13/01/2011 às 05h58

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A tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro na última quarta-feira (12) é resultado da falta de políticas públicas na área de habitação e saneamento básico, o que permite a ocupação desordenada nos morros e áreas de encostas. A avaliação é de Adacto Benedicto Ottoni, professor de engenharia ambiental e meio ambiente da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Segundo ele, o poder público ignora a existência de milhares de famílias que moram em lugares com risco de deslizamentos.

- As prefeituras não fiscalizam e permitem a ocupação irregular dos solos. Não adianta culpar a natureza pela negligência do governo.
Adacto aponta o desmatamento como a principal causa dos deslizamentos de terra na região serrana. De acordo com o professor, a população ocupa de forma irregular a parte alta dos morros, eliminando a cobertura vegetal. Ele explica que são as raízes das árvores que seguram o solo. Sem vegetação, as encostas vêm abaixo, resume o engenheiro ambiental.

- As encostas devem ser reflorestadas para que o solo absorva a água das chuvas. É o que aconteceria se essas áreas não fossem desmatadas.

Além disso, o desmatamento aumenta o risco de enchentes, já que a cobertura vegetal absorve a água das chuvas. E essa proteção natural impede que água a escorra pela superfície, levando detritos para rios e córregos.

- O assoreamento é a principal motivo do transbordamento dos rios na época das chuvas. Sem vegetação, a água escorre sem barreiras naturais, levando detritos e sujeira para os rios e valões. Resultado disso: famílias sem casa e parentes mortos.



O engenheiro ambiental também destaca que o saneamento básico precário colabora para os deslizamentos da encostas. Segundo ele, o esgoto infiltra no solo, tornando-o frágil diante de uma chuva forte.

- A falta de serviços públicos nas áreas de habitação e saneamento básico anuncia esse tipo de tragédia. O lixo é outro problema. As prefeituras não fazem a coleta e o lixo ajuda a acumular água nos morros, que infiltram o solo.

Adacto defende o monitoramento do uso e da ocupação do solo através de georreferenciamento, onde se pode identificar por satélite se as construções urbanas crescem irregularmente. Para ele, as prefeituras da região serrana devem remover as pessoas das áreas de risco nos períodos de estiagem para evitar que mais pessoas morram por causa das chuvas de verão.

- Não há vontade política para resolver essa situação. Não adianta adotar medidas paliativas na tentativa de aliviar a dor daqueles que perderam casas e familiares. Enquanto não houver um planejamento urbano a curto, médio e longo prazo, mais pessoas vão morrer nos próximas tragédias.

Chuvas castigam região serrana

O Rio de Janeiro viveu nesta quarta-feira (12) um dos dias mais trágicos de sua história. As chuvas intensas que castigaram a região serrana do Estado deixaram mais de 270 pessoas mortas, segundo informações da secretaria de Saúde e Defesa Civil. O número de mortos em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo superam as chuvas que castigaram o Rio em abril de 2010 e mataram mais de 250 pessoas. O Governo Federal anuncioi que vai liberar mais de R$ 780 milhões para os municípios afetados no estado do Rio e de São Paulo.

Com mais de 130 mortes, Teresópolis enfrenta sua maior tragédia. Segundo o coronel Flávio Castro, da Defesa Civil, o número de desabrigados passa de 900 e já são mais de 1.200 desalojados no município.

Veja fotos da tragédia

- Esse é o maior desastre de toda a história de Teresópolis. O número de vítimas pode aumentar. Nossa maior dificuldade é a questão do acesso. Ao todo, são mil homens trabalhando.

Em Nova Friburgo, o número de mortos também já passa de cem, entre as vítimas estão três bombeiros. Em Petrópolis, as 34 mortes ocorreram nas localidades Ponte Vermelha, Gentil, Madame Machado e Brejal, de com o último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado. As autoridades acreditam que o número de mortes na cidade pode passar dos 40.

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quarta-feira (12) a medida provisória que libera R$ 780 milhões em créditos extraordinários para os municípios afetados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades.

Problemas antigos

A população das localidades de Benfica e Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio, está acostumada a sofrer com a força das chuvas. Quem mora próximo ao rio Santo Antônio sente mais os efeitos das cheias. No entanto, os relatos dos sobreviventes dizem que nunca a água chegou ao nível que alcançou desta vez.

Nério da Costa Mesquita, de 83 anos, alugava uma casa em Benfica e perdeu tudo. Só lhe restou a roupa do corpo.

- Começamos a levantar as coisas, mas não imaginamos que a água ia subir tanto. Foi muita água. Agora tenho de esperar, sem água [para beber], sem mantimento, sem nada.

O proprietário da casa de Mesquita, Nilson Moreira de Macedo, que mora no mesmo terreno, também mantinha uma oficina na área. Ele perdeu o local onde morava e todos os objetos de trabalho.

- Não afetou só minha casa, mas o local de trabalho. Moro aqui há 35 anos. Nunca vi nada assim.


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