Técnicos vão analisar solo, rochas, vegetação e concentração de água
Marcelo Bastos, do R7 | 18/01/2011 às 13h00Um levantamento que a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) começou a fazer em Angra dos Reis, na região da Costa Verde, pode evitar que as tragédias naturais provoquem as mortes de tantas pessoas como na região serrana do Rio. No início do ano passado, 53 pessoas morreram em deslizamentos de terra em Angra e na Ilha Grande.
Um grupo de técnicos e alunos do Laboratório de Geo-Hidroecologia vão fazer análises das condições de conservação das regiões montanhosas da cidade, assim como o tipo de ocupação, áreas que concentram água, solo, rochas e vegetação.
O trabalho em Angra dos Reis, que há um ano sofreu com deslizamentos que mataram mais de 50 pessoas, deve durar seis meses, como explica a professora Ana Luisa Coelho Neto.
- O que aconteceu na região serrana sempre aconteceu, há milhares de anos, de tempos em tempos nas regiões de montanha. É uma coisa esperada. O maior problema é a ocupação dessas regiões, que aumenta a vulnerabilidade. Com esse trabalho em Angra, vamos traçar um mapa de suscetibilidade de perdas e danos para saber quais os reais riscos para as pessoas que vivem por lá.
O levantamento será feito em uma área de 50 quilômetros quadrados, que abrange a bacia do Centro da cidade, o morro da Glória e nas localidades da Ilha do Bananal e Proveta, em Ilha Grande, entre outras.
Tragédia das chuvas
O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.
As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.
No final da noite de sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.
Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.
Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.
Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.
- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.
Doações na Igreja Universal
Para ajudar as vítimas, você pode doar água e alimentos não perecíveis em qualquer templo da Igreja Universal do Reino de Deus no Estado do Rio de Janeiro.
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